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Alegre e Camarada, Bem-Te-Vi!

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Naquela manhã do Verão de 2022, passaram-se os dias chuvosos e muito nublados. Ouvi — de o Bem-Te-Vi — seu alegre e camarada e denunciador piado! O som manifesto e ouvido, traduzia e indicava sua aproximada presença. Abri a janela devagarinho, a fim de não espantá-lo. No entanto, lá estava, alegre e camarada, o amigo! Posso chamá-lo assim, pois, pelo seu piado – bem te vi – identifico seu gênero. Li, também, no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa que, segundo suas espécies, pode ser chamado de Bem-Te-VI: “arapongas”; “assobiador”; “barulhento”; “cabeça-de-estacas”; “carijó”; “carrapateiro”; “cartola”; “cavaleiro”; “cinza”; “de igreja”; “do-bico-chato”; “de-cabeça-rajada”; “de-coroa”; “de-coroa-vermelha”; “de-gamela”; “de-três-riscas”; “do-brejo”; “do-chão”; “do-gado”;  “do-mato”; “do-mato-virgem”; “escuro”;  “gameleiro”; “miúdo”; “pato”;  “peitica”; “pequeno”; “pintado”;  “pirata”; “preto”; “rajado”;  “riscado”; “solitário”; “verdadeiro”;  “zinho”; “zinho-de-asa-ferrugínea”; “zinho-de-penacho-vermelho”;  “zinho-do-brejo”; “zinho-ladrão”; “zinho-rajado” e “zinho-riscado”. De aparência juvenil, todo faceiro, o alegre e camarada brincava tranquilamente. Parecia um Bem-Te-Vizinho! Porém, isso nunca, não era! Nunquinha, para ser exato! Tinha janeiros passados. Esquecia-se disso, a julgar pelas brincadeiras descabidas aos Bem-Ti-Vis adultos! Esperto, fotografei-o, usando a câmera do mobile! Fui cuidadoso, ao afastar as bandas da cortina decorativa da janela do quarto. Mantive-a semiabertas, em silêncio, pois, qualquer descuido, visual e sonoro, o menor que fosse, seria o suficiente a afastá-lo. Teria destino e pouso certeiros. Desfrutaria, mais uma vez, da largueza dos benefícios da Amendoeira localizada do outro lado da rua onde moro.   Naquela Amendoeira, judiada pelos poluentes abundantes da Urbe, sentia-se feliz! Nela, por certo, passara bons momentos, na companhia do casal de Bem-Te-Vis que o criaram. Era fruto natural e consequente da Criação Divina e da união do Bem-Te-Vi macho e da Bem-Te-Vi fêmea. Agora jovem ou adulto, experienciava a liberdade plena. Voava, despreocupado e sozinho, longe das vistas dos genitores, e brincava de ser um passarinho! Sim! Um bem-te-vizinho treteiro! Ali, na frente de minha câmera, encontrava-se, o alegre e camarada! Tranquilo, como se fosse o dono de tudo, em meio aos arbustos verdejantes que se mostravam enfastiados, pelo excesso das chuvas, e, pela ausência do Sol, carecidos de sustância clorofiliana. Em pouco tempo, as folhas ficariam amareladas, da mesma cor da parte posterior dos Bem-Te-Vis! Com o tempo, arrisquei um assovio suspeito e humanizado: bem-te-vi!!! Repeti, uma, duas vezes. O resultado foi muito favorável. O Alegre e Camarada Bem-Te-Vi voou para mais perto da janela, pousando no último lugar possível. Teria a expectativa de algum contato entendível? Como saber? Talvez os ornitólogos, especializados em Bem-Te-Vi, saibam… Percebi a insistência daquele Bem-Te-Vi, distante menos de quatro metros, na tentativa de localizar visualmente o autor do bem-te-vi imitatório. Tomei a iniciativa. Mostrei-me a ele que, espavorido, voou rumo à Amendoeira!  Por que o Bem-Te-Vi fugiu, se há pouco mostrava-se solícito à aproximação amigável? Ao meu pensamento vieram duas magníficas cenas descritas no Livro de Gênesis, da Bíblia Sagrada. A primeira, do homem, no Éden, com o domínio sobre os seres vivos (Gênesis 1:26-27; 2:19-20) e com a orientação de guardar e cultivar a Terra (Gênesis 2:15). A outra cena, ressai, igualmente, da Narrativa Bíblica, do diálogo de Deus com Noé, na Aliança Pós-Diluviana: “E será o vosso temor e o vosso pavor sobre todo animal da terra e sobre toda ave dos céus; tudo o que se move sobre a terra e todos os peixes do mar na vossa mão são entregues” (Gênesis 9:2).  Dos Bem-Te-Vis, sei muito pouco! Do temor e do pavor entre os seres vivos, mais por conta daqueles ditos inteligentes, tenho muita certeza!

ENCONTRO NO CÉU…

À memória de Nair Maria [Eleutério] dos Santos ─ minha Primeira-Sogra e minha Outra-Mãe ─ e em homenagem a outros cinco Vultos da Paz! João Bosco de Castro. Vó-Nair partiu pro Céu,Quando eu fiz setenta e cinco…Voou envolta no véuDe quem amou com afinco! Beirava os noventa e nove,Tinha prosa divertida,Eis então Deus a removeDesta para a eterna-vida. Ao vê-la, o Bom-Pedro abriuA ela semblante ameno…Abraçou-a e sorriu,Não a deixou ao sereno. A Casa é sua, ó Nair, Dela aufira bom-proveito. Dê claridade ao porvir, Descanse, aqui, a seu jeito. Ela fitou no GestorDaquela amável Morada,Com bons-modos de louvor:Ficha-Limpa, Alma-Lavada! Quis notícias do Marido,Netos, Filho e da Caquim,Lançou o olhar tão compridoÀ bela Amplidão sem fim. Entre!…Você os verá!(Disse-lhe o Porteiro-Santo)…Você veio para cá:Lugar de pio acalanto. Eles estão muito bem, Segundo o Eterno-Juízo,E querem tê-la, também,Nas Glórias do Paraíso. Entre, Nair bem-amada!Você merece esta Paz…Não se faça de rogada!Seu passado satisfaz Às Leis do Mor-Criador.Com fé na Santa-Bonança,Você tem alto penhor!Ela encheu-se de esperança E entrou na Mansão dos Bons,Onde Márcio e Jão-’Zevedo,Juninho e Carlos ─ co’os tonsDo vastíssimo arvoredo E aos sons do dó-ré-mi-fáDos Cantos da Eternidade ─ Agregaram-se à Dagá: Maestrina da Bondade!… Nair transfundiu-se, limpa,Aos Mirandas-Eleutério ─ Eta Família supimpa!…─,Nas Glórias do Refrigério… Ela, agora, está no Céu,Ungida de Amor e Paz,Onde não há escarcéu Nem tretas de Satanás! Festeje bem, ó Nair,O encontro com seus Amados,Respire os ares de Ofir,Não nos deixe ser coitados… Nosso abraço ao Jão-’Zevedo,Juninho e ao Márcio Amaral…À Vó-Graça, o riso ledo;Ao Carlos, voz triunfal! O Céu é paz com vitória,Lugar de Luz e Louvor,Sacro Palácio da Glória:Fé-Poema ao Esplendor! Pelos Cinco embevecida,Celebrada com carinho,Nair tem sua outra-vidaNo “outro lado do caminho”: Estrada da SantidadePor onde se acertam passos, Escola da Caridade, qual se apagam fracassos, Cujo Mestre vem de Hipona,O Sábio Santo Agostinho,Com quem Nair, boa Dona,Aprendeu, bem-direitinho, A mais ditosa CartilhaDa vida singela e santa,E praticou a partilhaDe tudo quanto se planta E colhe, co’a nobre Mão,Como, na vasta Isidoro,Fizeram Nair e João:Roça farta, água sem cloro… Ela criava galinhas,Tecia couves no chão,Primorava ladainhasEm prol do arroz e feijão! Nair nos ensinará,Lá das Cátedras Celestes,O amorável bê-á-bá:Doação de amor e vestes… Sua figura bondosa,Junto co’a Virgem Maria ─ Almenara Dadivosa!… ─,É Luz de Fé e Alegria! Bom Despacho-MG, 3 de fevereiro de 2022.

SESSÃO ESPECIAL DA ACADEMIA EPISTÊMICA MESAMARIANO!

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LANÇAMENTO DO LIVRO INIMÁ QUERINO — UM PRODUTOR RURAL BEM-SUCEDIDO, DO ACADÊMICO-HONORÁRIO ISAAC DE OLIVEIRA E SOUZA. João Bosco de Castro*. 1. NÚCLEO ACADEMIAL DA SESSÃO ESPECIAL MESA-MARIANIANA. Após um ano e dez meses de seu obrigatório e penoso afastamento de reuniões e fainas literocientíficas, nossa profícua e respeitável Academia Epistêmica de Mesa Capitão-Professor João Batista Mariano — MesaMariano rompeu o lamentoso e desagradável silêncio anticovídico — sem abandonar as precauções indispensáveis à respectiva proteção antiviral —, para falar alto e bonito, às 20h de 17 de dezembro de 2021, no Salão Diamante do Clube dos Oficiais Mineiros. Exatamente isto! Às 20h de 17 de dezembro de 2021, no citado Salão Diamante (Rua Diábase, nº 200, Prado, em Belo Horizonte), realizamos a Sessão Especial Mesa-Marianiana, sob específica pauta acadêmica dirigida pela Confreira Epistêmica Beatriz Campos de Paulo e Castro — titular de nossa Cadeira nº 2 —, para lançamento oficial e cerimonioso do Livro INIMÁ QUERINO — um PRODUTOR RURAL BEM-SUCEDIDO, de nosso Confrade MesaMarianiano Isaac de Oliveira e Souza, Professor e Coronel Veterano da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG). Trata-se de Obra Biográfica importante: bem-fundada em pesquisas e bem-redigida, sob os mais rigorosos parâmetros da Metodologia Científica, além de tutelada por sábias e convincentes falas do Biografado, severo Oralizador da própria História de Vida. Em tal Publicação, atuei como Revisor, Prefaciador e Editor — mediante auspiciosos ofícios de meu Espaço Camões: Oficina de Saberes, Letras e Artes — ECOSLA (Bom Despacho — MG). O Produtor Rural Bem-Sucedido adubou e fez viçar o melhor sucesso de nossa Reunião Epistêmica, apoiada pelo Clube dos Oficiais e prestigiada por um Quarteto de Cordas da inigualável Orquestra Sinfônica da PMMG, pelo próprio Biografado — com seus Familiares e Amigos, inclusive da Cidade de Jequitibá —, Esposa, Filha e Namorado, Filho, Irmãs, Irmãos, e muitos outros Parentes e Amigos do Biógrafo Isaac de Oliveira e Souza, Acadêmicos Cláudio Cassimiro Dias e Ana Maria Matos Nascimento — da Academia de Letras João Guimarães Rosa, da PMMG —, nossos Confrades e Confreiras Álvaro Antônio Nicolau, Pedro Seixas da Silva (Presidente de nosso Conselho-Diretor, envolvido também nas festividades de seus cinquenta anos de formatura no Curso de Formação de Oficiais — Turma de Aspirantes de 1971: Recipiendária, naquela mesma noite da sumosa e expressiva Medalha Coronel José Vargas da Silva), Gleisa Calixto Antunes, Antônio Carlos Cabral Aguiar e Beatriz Campos de Paulo e Castro — desta Academia Epistêmica de Mesa Capitão-Professor João Batista Mariano (MesaMariano) —, de meu Neto Arthur Azevedo Castro Mota, Major Carlos Alberto da Silva Braga (Articulista do PontoPM/GrupoMindBR, residente em Braga-Portugal), pelo Fotógrafo Silas Calebe e Colaboradores do Bufê do Nem (de cuja atenciosa presteza matamos a sede com providenciais refrigerantes e saboreamos quitutes e salgadinhos). Nossa aprazível Sessão Especial Mesa-Marianiana foi honrada pelo épico Hino Nacional Brasileiro, cantado por Todos, aos acordes do maravilhoso e já mencionado Quarteto de Cordas da Orquestra Sinfônica da PMMG, antes da ritualística Invocação Acadêmica do Areópago Epistêmico, proferida pelo Biógrafo Isaac de Oliveira e Souza. Como Presidente da Casa Academial, cuidei do Expediente com boas-vindas a Convidados, Acadêmicos, Músicos, Biógrafo e Biografado, cumpri a Ordem do Dia — como apresentador-prefaciador do Livro aqui lançado — e entreguei ao Coronel Isaac de Souza o Certificado por méritos a ele conferido, em 12 de dezembro de 2021, pela Diretoria da Rádio FM10 de Bom Despacho-MG. O Quarteto de Cordas da Orquestra SInfônica da PMMG, como homenagem ao Biografado Inimá Querino, executou “O Menino da Porteira”, clássico memorável de nosso Cancioneiro Sertanejo. O Biógrafo Isaac de Oliveira e Souza, após breve interrupção dos autógrafos, usou a palavra em agradecimento a Pessoas e Entidades envolvidas no processo de publicação e burilamento de seu precioso Livro, oferecido, gratuitamente, a todos os prestigiadores desta Sessão Especial Mesa-Marianiana de Lançamento da Biografia de Inimá Querino – um Produtor Rural Bem-Sucedido. Retornei ao atril, para falar das Efemérides Socioliterárias de Dezembro, das quais escolhi os dias 16 e 28 — dedicados ao Príncipe de nossa Poesia Parnasiana, o magistral Olavo Brás Martins dos Gumarães Bilac, de cuja agrégia autoria declamei o Soneto LÍNGUA PORTUGUESA. Encerrei a Sessão Especial Mesa-Marianiana de Lançamento de Livro, na forma regimental, com felicitações e agradecimentos ao Biógrafo, Biografado, Músicos, Representantes de Sodalícios, Convidados e Amigos da MesaMariano, e Familiares de Isaac de Souza e Inimá Querino. 2. SOBRE A BIOGRAFIA, O BIÓGRAFO E O BIOGRAFADO. Do Livro ora festivamente lançado, de indiscutível utilidade sociocultural e função historiográfica elevada, transcrevo de meu Prefácio dois núcleos analíticos, aliás os escolhidos por Isaac de Oliveira e Souza, com propriedade e sabedoria, para a composição da contracapa e das duas orelhas da mesma obra. Ei-los! 2.1 BIOGRAFIA AUTÊNTICA E LEGÍTIMA. João Bosco de Castro. Este Livro historia o Senhor Inimá Querino da Costa, desde antes de seu nascimento, na Primavera de 1935, em Venda Nova, Distrito de Santa Luzia-MG, com assentamentos de andanças de nossos antepas­sados, prioritariamente dos ancestrais dele, “os aborígines livres e legí­timos senhores da Terra do Pau-Brasil”, ao longo da bela, dificultosa e hostil América Portuguesa, dos Puris de Muriaé aos Cataguás e Kaxixós de Bom Despacho, Martinho Campos e cercanias, em Minas Gerais, na união dos Costas e Querinos, para a saga da primeira infância e primeira escola do Oralizador da Própria História de Vida, e sua adolescência, vida adulta e muito trabalho, por aqui e alhures, e suas peregrina­ções aventureiro-empresariais, particularmente em busca da Produção Rural, mais concentrada na Pecuária de Corte de Bovinos e Suínos, Açougues, Frigoríficos e muitas outras incursões laborais de Homem Ativo, Trabalhador e Ambicioso, de olho na posse de bons milhares de cabeças de gado bovino, pelas Bandas dos Crucifixos Dourados, Região da Tríplice Fronteira, e de Divinópolis, Belo Horizonte até Jequitibá, neste Estado das Alterosas, afora suas heroicas e amalucadas ações de Desbravador do Estado do Pará, como dono e gestor das Fazendas Ma­ravilha, Santo Antônio e São José, na imensidão de Paragominas, pelas abençoadas aguadas de ribeiras das Bacias do Rio Capim e Rio Gurupi. A Vida de Inimá

SILÊNCIO CONSTRUTIVO

                                                                       Marcílio Fernandes Catarino (*) Vivemos tempos estranhos, desafiadores e, para muitos, sombrios. De repente, começamos a perceber que os ensinamentos que nos foram transmitidos como verdades, passaram a ser considerados errados e as palavras começaram a perder a força e o seu significado real. Há algum tempo, infeliz daquele que carregasse a pecha de vagabundo, de maconheiro ou de ladrão, por exemplo. Além do isolamento social a que era naturalmente submetido, via sua vida e seu futuro profissional inteiramente comprometidos. Mas, isso são coisas de um passado que, na verdade, já vai distante. Nos dias atuais presenciamos, constrangidos e perplexos, pessoas que carregam sobre os ombros acusações muito mais graves, que vão desde corrupção a pedofilia, de vultosos desvios de recursos públicos a assassinato, ocupando altos postos no primeiro escalão de governos, ou como ministros de Cortes Judiciais. O apodrecimento ético e moral desse modelo de sociedade que construímos, em que impera a maldade e a mentira, a manipulação e a ânsia de poder e dominação, nos cai sobre os ombros como um fardo extremamente pesado, que já não é mais possível e justo carregar. Silenciado e oprimido por uma Corte Suprema despótica, em que impera o ativismo político-ideológico, a corrupção e a afronta total às liberdades e garantias constitucionais, o cidadão de bem se vê oprimido, violentado e completamente desamparado, enquanto se blinda e protege os chefões do crime organizado, numa dolorosa e incompreensível inversão de valores. Em meio a esse ambiente adoecido e tóxico, a democracia -se é que se pode chamar assim esse regime em que vivemos- se esvai e a Justiça claudica desacreditada e desmoralizada. A ninguém é permitido o direito inalienável de criticar ou manifestar suas opiniões, consolidado, em cláusula pétrea, na Carta Magna da Nação. Como disse grande jornalista brasileiro, anos atrás, “no faroeste brasileiro, falar a verdade tornou-se perigoso.” E as prisões vão se aumentando de “criminosos de opinião”, de “suspeitos de divulgarem fakes News”, ou de cometerem “atos antidemocráticos”, delitos não tipificados em qualquer lei do país e que ninguém sabe definir ou  conceituar exatamente o que tais “crimes” significam. E o autor dos mandados de prisão é exatamente um ministro do STF, atropelando as prerrogativas do Ministério Público Federal e que, em junho de 2018, deixou  registrado em parecer de sua autoria:  “Quem não quer ser criticado, quem não quer ser satirizado, fique em casa. Não seja candidato, não se ofereça para exercer cargos políticos. Essa é uma regra que existe desde que o mundo é mundo. Querer evitar isso por meio de uma ilegítima intervenção estatal na liberdade de expressão é absolutamente inconstitucional.” Em decisões teratológicas, inteira e claramente inconstitucionais, o supremo ministro vem se revelando, a um só  tempo, como vítima, presidente do inquérito, investigador e julgador, diante do “ensurdecedor” silêncio de grande parte dos órgãos da imprensa brasileira e da postura omissa do Senado Federal, a quem cabe, privativamente, processar e julgar os Ministros da Suprema Corte, nos crimes de responsabilidade, nos termos do Artigo 52 – Inciso II, da Constituição Federal. Ao longo do tempo, tenho me aventurado (para não dizer ousado) a compartilhar minhas reflexões, através de modestas crônicas sobre esses temas e outros do cotidiano, que nos incomodam ou, de alguma forma, nos afetam. E, à medida em que correm os dias, vamos percebendo entristecidos que os ingentes esforços para se consolidar uma verdadeira democracia no Brasil, estão escorrendo ralo abaixo. Tomada de indignação, a sociedade vem se mobilizando em manifestações públicas cada vez mais intensas, que se eclodem por todo o país, clamando por justiça e liberdade. Fenômeno, aliás, que se verifica e se repete em vários países, diante dos ímpetos tirânicos de governantes que insistem em submeter toda a população à tutela absoluta do Estado. Uma espécie de “elite secreta”, com uma agenda globalista voltada para o domínio do mundo, através de um governo hegemônico (NOM), visando, dentre outros aspectos, manter a humanidade como uma manada dócil e obediente. Em paralelo, assistimos a intensificação das manifestações e fenômenos climáticos e geofísicos, cada vez mais poderosas e incontroláveis, como se o próprio planeta Terra estivesse, não apenas mostrando o seu protesto, mas alertando à humanidade para os enormes riscos a que está exposta, diante dos abusos e excessos de toda a ordem que, a centenas de anos, vem cometendo. Certamente, todos os que já se libertaram dos sistemas de crenças limitantes e manipuladores, de modo particular os de cunho religioso, aos quais a humanidade vem sendo submetida ao longo do tempo, estão percebendo tais fenômenos. Percebemos, finalmente, que vivemos um tempo de Revelações, em que os “fantasmas” estão saindo das sombras para mostrar, surpreendentemente, suas horripilantes faces e revelando novos cenários que ainda se nos apresentam incertos e obscuros. O momento nos convida à uma profunda reflexão introspectiva, em busca de uma visão mais clara da nova realidade que nos cerca. Assim considerando, julgo prudente “silenciar minha pena”, por algum  tempo, me mergulhando no Silêncio Construtivo. Que eu possa retornar com mais experiência e sabedoria.                                                                                                           Set/2021.                                                (*) Coronel Veterano PMMG – Aspirante 1970.

BISTRÔ DO CÉU: Amor-Filia!

  João Bosco de Castro.   Eu e Beatriz, minha Esposa, estivemos fora de Bom Despacho, por nove dias. Ontem, pelas 11h, saímos de Belo Horizonte, de volta ao ninho e aos teares da vida. Viagem-família: passeio feliz! Chegamos à Cidade-Sorriso, em torno das 14h, famintos. Não era mais hora de marmita. Ainda na Estrada do Pica-pau, eu disse a Beatriz: ─ Algum arrozinho branco, bem-simples, com ovos fritos, em emergência… Hum!… ─ e lambi os beiços. Ela respondeu-me: ─ Não deixamos nada pronto nem temos ovos na geladeira!… Retruquei-lhe: ─ Tenho certeza de alguns ovos na geladeira!… ─ Então, cuidarei do arroz, caso não encontremos nada no Rua do Céu Bistrô ─ completou Beatriz. Entramos na Cidade pela Rua do Céu ─ nome lírico, abençoado, folclórico, melodioso, quase divino, preferível ao do Favuca, em minha modesta opinião. No ponto certo, Beatriz desceu do carro, à procura de marmitas. A Dona do Rua do Céu Bistrô ─ Esposa de conhecido Sargento Veterano do Machado de Prata ─ e seus dois Rapazes, educadíssimos, já se preparavam para fechar o emblemático Estabelecimento. Nossa fome tinia e retinia. ─ Oh! Perdoem-me o atraso! Não são horas de procurar almoço, mas, até agora na estrada, eu e João Bosco não conseguimos chegar aqui, antes. Estamos varados… Muito agradecida! Em casa, tentarei fazer algo rápido. Um arrozinho com ovos fritos!… Desculpem-me o incômodo! ─ disse Beatriz à Senhora. Muito cordial, a Dona do Bistrô acenou-lhe para esperar um pouco.  Reentrou na Loja. Em poucos minutos, saiu de lá com duas marmitas. ─ Sei como é estrada… Consegui, apenas, um pouco de arroz com carne-moída. Isso pode ajudá-la… ─ falou assim, e entregou a Beatriz as duas marmitas. Satisfeita e acalentada pela gentil Senhora, Beatriz, com as marmitas às mãos, quis pagar-lhe a refeição… E a Dona do Bistrô, com largo sorriso de felicidade nos lábios: ─ Não vou cobrar-lhe nada. Arranjei só o possível. O fundinho de panela… Isso não é nada! ─ Posso pagar-lhe ─ ajuizou Beatriz. ─ Não! Pode levar… Quero dar esta comida a Você! ─ categorizou a prestimosa e amável Senhora. Em casa, com o estômago na goela a varar a nuca, após subir com a bagagem, saciamo-nos, maravilhosamente, com o mais providencial e substancioso banquete: aquele arrozinho com carne-moída, mais quatro ovos de galinha fritos por Beatriz!!! Comemos o mais saboroso e apreciável almoço!… Quanto regalo! Verdadeira ágapa! O melhor almoço: almoço-amor, almoço-doação, almoço-irmão, almoço-amigo, almoço-bênção, almoço-desapego, almoço-desinteresse ─ banquete-fraternidade!… Almoço-Filia: Bondade de Deus, pela sorridente autodoação imensurável e sincera da Dona do Rua do Céu Bistrô!!! Sua Copa-Cozinha não somente alimenta o corpo, mas nutre e renutre, acima de tudo, a alma. Copa-Cozinha da mais saborosa Gentileza-Transformação!… Tomara me permitissem mudar os nomes das coisas! Eu transformaria o do Rua do Céu Bistrô em Bistrô do Céu. Assim, a lendária Rua e o adorável Bistrô até se irmanariam nas Delícias da Morada de Deus, dentre as quais o Almoço-Fraterno! Bom Despacho-MG, 8 de junho de 2021.   João Bosco de Castro ( 1947 ─ ) é Oficial Superior Veterano da PMMG, Professor de Línguas e Literaturas Românicas. Poeta, contista, romancista, policiólogo, camonólogo e ensaísta. Publicou doze Livros. Mora em Bom Despacho-MG.

UM SONHO UTÓPICO?

Marcílio Fernandes Catarino (*) Eu tenho um sonho…! Eu sonho que toda a humanidade se estreite num abraço fraterno. Que os homens, embora se diferenciem quanto à raça, cultura, credos religiosos, cor da pele, possam se igualar nos sublimes ideais da Vida Maior. Eu tenho um sonho…! Eu sonho que os ricos devam existir para combater a miséria, estendendo mãos solidárias aos pobres. Que a fome, a miséria, os preconceitos, a injustiça, a violência e as guerras não sejam mais fontes de dor e sofrimento para a humanidade. Eu tenho um sonho…! Eu sonho que a natureza, “esse grande livro escrito e colorido pela mão de Deus” receba de todos nós o tratamento e o respeito que lhe são devidos. Que os animais, como seres em evolução, possam viver livres, servindo ao homem e sendo por ele servido. Eu tenho um sonho…! Eu sonho que os homens vivam o presente, buscando sempre antever o futuro, mas sem jamais esquecer as lições do passado. Que os avanços da ciência e da tecnologia se destinem tão somente à sublimação da vida humana, indistintamente. Eu tenho um sonho…! Eu sonho que a humanidade sinta tanto quanto está pensando. Que o orgulho e o egoísmo, fonte maior de todos os males, sejam extirpados de dentro de cada um de nós. Eu tenho um sonho…! Eu sonho que os homens busquem, sinceramente, entender e internalizar o real significado das Leis Naturais que regem o Universo, para melhor vislumbrarem o verdadeiro sentido da Vida. Que os homens, Espíritos Eternos criados à imagem e semelhança do Supremo Criador, devem contribuir para com a grandeza da Sua obra, fazendo brilhar sua Luz Interior para que possam espargir-se as trevas que nos envolvem. Que a Humanidade, enfim, seja uma única e grande família, convivendo e evoluindo em paz e harmonia.                                                                                                                               (*) Coronel Veterano PMMG – Aspirante 1970

Reaprenda a prática da leitura.

Em reaprenda a prática da leitura, você verificará que nada na sua vida será registrado em sua mente, como arquivos em movimentos ou arquivos sonoros. Tudo se armazena no seu cérebro através de imagens estáticas – aquilo que comumente chamamos de memória fotográfica. Quantos de nós não temos conhecidos assim? Aqueles que não tinham livros ou cadernos, não estudavam e eram os primeiros a terminarem os exames. Aqueles que não se importavam com a nota e sim na certeza de que  sabendo, a todos encantavam. A capacidade que o ser humano tem, de registar as suas emoções como memórias fotográficas, tem no mundo do conhecimento o nome de Registro Automático da Memória, é algo que acontece no nosso cérebro onde o acúmulo das informações se dá através dos nossos terminais sensoriais – visão, olfato, audição, paladar e tato – acostumados a conjugar tudo isso, sem que percebamos, nosso cérebro cruza todas informações pretéritas e face a qualquer imprevisto nos dá uma possibilidade de resposta. Quando nos propomos a trabalhar em grupo, nos comprometemos a sermos fiéis  ao Grupo, nos comprometemos à defesa dos interesses coletivos e nos obrigamos ao objetivo do Grupo. Devemos ser fiéis aos propósitos que nos unem. Devemos obediência moral ao todo e fidelidade com aquele com o qual nos propusemos a seguir o caminho. Aquilo que nos une, nos recomenda a nós o foco e imbuídos de tudo isso nos alerta sobre os percalços. Às vezes, optamos por ouvir – uma música, uma mensagem ou uma aula, em outras optamos por ver – um filme, uma campanha publicitária ou até mesmo uma aula. Infelizmente, preterimos o ler. Não, o ler caracterizado por uma mensagem de auto-ajuda, uma mensagem de bom-dia ou uma mensagem furtiva. Preterimos ler o conhecimento, preferimos ouvir, ver e nem sempre ler. Ouvir, ver e não ler, permitem a qualquer um ocupar-se de outras ideias, algo que a leitura reduz bastante pois nos recomenda  ficar preso ao texto na busca da essência do conhecimento, ou seja, encontrar a resposta, achar a hipótese que conjugada à sua demanda produza uma solução compatível com o seu questionamento. Devemos reaprender a ler, devemos produzir uma posição crítica ao texto apresentado e não apenas aceitar as palavras como imposição de ideias por encantarmo-nos com a voz, com a imagem, com os recursos audiovisuais, com os sons, com a beleza artificial que tem um único objetivo: fazer com que você aceite a ideia do outro, que você se prenda   aos objetivos que nem sempre são os seus e que você  se convença que tudo quanto foi dito, cantado, encenado, sentido e transmitido seja a única verdade. Reaprender a ler é ter a possibilidade de formar a sua própria história em relação ao fato, ao ato, ao conhecimento e ao presente. É se permitir ao contraditório, contrapor às imagens, formar a sua própria convicção, buscar o significado para uma palavra desconhecida e acima de tudo controlar o que realmente importa, informa, constrói, aproxima, exprime e acrescenta no seu aprendizado de vida. Reaprender a ler é ter a oportunidade de voltar no texto,  sublinhar uma palavra, destacar um pensamento, interpretar uma ideia, sonhar com as imagens que poderiam se encaixar numa metáfora, compreender o sentimento de quem se propõe à construção da mensagem  e tudo mais quanto seja agradável num texto e principalmente aprender. Não se furte da oportunidade de ler, não se prenda às encenações, não se deixe levar pela sonoridade da voz que procura retirar do seu horizonte o encantamento das imagens que o seu cérebro possa construir. Viva o conhecimento que você acumulou durante todo o seu aprendizado e transforme as palavras de um texto numa experiência construída por você mesmo e não por uma voz ou uma imagem construída por terceiros. A cada memória fotográfica que criamos a partir da leitura de um texto, inúmeras janelas se abrem com informações cruciais para a nossa tomada de decisão. Estar centrado no texto nos permite ir além, nos permite compreender o processo, criar as nossas próprias memórias fotográficas, desvendar os enigmas do conhecimento, alimentar a nossa própria imaginação, referendar as experiências, comparar modelos, compreender a nossa importância na solução do problema, evitar a repetição de erros e nos possibilita ousar. Só através da leitura as memórias fotográficas serão construídas por sua própria opção, você poderá retornar ao texto infinitas vezes sem perder a essência, poderá pausar a leitura para dar atenção à uma pessoa e retornar sem necessidade de comprometer o aprendizado,  poderá parar por alguns instantes – imaginar, sonhar, retroagir nas memórias, avançar nas hipóteses futuras e depois retornar onde estava sem perder o nexo. Reaprenda a prática da leitura, ela será uma opção para diferenciar comportamentos individualizados dos comportamentos autômatos, diferenciar aquele que realmente sabe o significado das palavras daquele que apenas as repete, diferenciar quem tem responsabilidade de grupo daquele que usufrui da responsabilidade do grupo para os interesses próprios.

INTERNET, REDES SOCIAIS E OS LIVRES PENSADORES

Marcílio Fernandes Catarino (*) Nunca, como nos tempos hodiernos, tem sido importante a efetiva participação, em todos os setores da vida social, de pessoas dotadas de senso crítico (que não se confunde com criticismo mórbido), capazes de pensar com a própria cabeça. Sobretudo, a partir do advento do que hoje vem sendo denominado como Sociedade da Informação, integrada pela Internet e as poderosas redes sociais que, simplesmente, pulverizaram o monopólio da informação, há décadas controlado e manipulado pela grande mídia. O papel preponderante das citadas redes na eleição do presidente norte-americano, Donald Trump, foi superado pela emblemática eleição do presidente brasileiro, Jair Messias Bolsonaro, nas eleições majoritárias de outubro de 2018. Mesmo dispondo de ínfimos oito segundos de tempo na televisão e limitados recursos financeiros, o candidato Bolsonaro superou seu adversário, que dispunha do apoio maciço da grande mídia brasileira e expressivo suporte financeiro, divulgando suas propostas e programas de governo com o uso inteligente das redes sociais. Foi eleito com quase 70% dos votos válidos, na mais barata campanha presidencial do Brasil. Todos os esforços desenvolvidos pela grande mídia nacional, inclusive com a disseminação inescrupulosa de Fake News (notícias falsas), no intuito de desmoralizar e desacreditar o candidato vencedor, não foram capazes de neutralizar a eficácia do trabalho desenvolvido nas redes sociais. Com a Internet e as mencionadas redes estabeleceram-se novos padrões culturais e de sociabilidade, de produção e divulgação de informações, em que as notícias circulam entre os usuários, em tempo real e sem intermediários, onde quer que cada um esteja. Podemos destacar, nesse alvissareiro episódio, quatro aspectos fundamentais que, na nossa ótica, sinalizam o início de um novo tempo na divulgação das informações em particular, e nas campanhas políticas em geral, no território brasileiro: Inquestionável enfraquecimento das grandes mídias e do seu poder de manipulação das informações e da “opinião pública”. A situação falimentar do jornalismo autêntico, comprometido e deturpado, tendenciosamente, pelos órgãos da grande imprensa, a troco de benesses de grupos políticos que detêm o domínio do poder temporal. Sensível redução dos custos financeiros das campanhas políticas, sempre bancados pelo erário. Aumento do despertar dos “livres pensadores”. Inquestionavelmente, este último se destaca, segundo a nossa modesta compreensão, como o principal fator a indicar uma profunda transformação da sociedade brasileira que, no exercício e manifestação do pensamento independente deixa, cada vez mais, de ser simplesmente “massa de manobra”. Imperativo alertar, no entanto, que a liberdade criada pela Internet e as redes sociais abriu espaço enorme a um novo tipo de manipulação, muitas vezes sutil e de difícil identificação: a sofisticada elaboração e disseminação das tão alardeadas Fake News, capazes de construir, modificar ou destruir; de confundir, desorientar ou induzir os mais incautos. De qualquer forma, o livre pensar é libertador, conforme nos asseverou, há mais de dois milênios, o inolvidável Rabi Galileu: “e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8:32), o que revelou a sua preocupação em lutar, na sua jornada messiânica, contra esse grande mal que ainda assola a nossa sociedade: a ignorância. Avante Brasil!                                                            (*) Coronel Reformado PMMG/Asp1970

Antes de ser um, sou três.

Mesmo antes do início, quando tudo não estava, faltava a memória e o livre-arbítrio para dizer que antes de ser um, sou três. Quando um e um não serão dois, mais apenas um, antes de ser um, sou três. Muito fácil de dizer e mais ainda de se explicar, quando na essência do que sou, não sou eu apenas um, mas três. Se o homem e a mulher se uniram e eu nasci, não são apenas um mais um, sendo eu um, assim, os três um, são três. Nas ciências são fáceis as explicações do porquê, de sendo eu um, antes sou três. Se qualquer número que se eleva a zero o resultado é um, sendo eu fruto de uma função exponencial de base dois e expoente zero, existo como um e em suma sou três, a soma de uma revolução genética, onde parte vem de um a outra parte de outro um e no fim, sou um, como parte de um, de outro um, me torno um, na soma de tudo isso sou três. Se venho de um casamento, de uma concepção e de um nascimento, mesmo sendo um, sou três, são três datas de nascimento, de um, de outro um e do um que sou eu. Sou um, mas mesmo antes de ser um, sou três. Geneticamente só sou um, porque derivando de uma meiose, uma mitose e uma gestação, sou um processo de três um, pois sendo um, sou fruto da soma de um e outro um, antes de ser um, sou três. Filosoficamente é uma verdade necessária e por mais que metafisicamente sejam dadas opções de proselitismo, uma verdade contingencial não supera a verdade do princípio, pois tudo é idealização da verdade única do idealizador. Antes de servir na Instituição que me aposentei – servindo e protegendo o destinatário final da minha força de trabalho – vendi a minha força de trabalho a dois outros destinatários finais do capital acumulado que se construiu no eu que sou um. Antes de servir na Instituição que me aposentei, morei em três cidades e na maior delas me construí no eu que sou um. Na formação profissional dentro da Instituição que me aposentei, no meu primeiro curso fui o terceiro colocado e de todos que tiveram origem, na mesma Unidade que a minha, fui dentre eles, o terceiro colocado no principal curso da Instituição que me aposentei. Quando a Instituição que me aposentei, foi chamada a promover a formação profissional de uma outra Instituição congênere, fui o terceiro colocado entre os três que foram enviados para representar, dignificar e compartilhar o conhecimento acumulado a partir do principal curso da Instituição que me aposentei. No exame de aptidão profissional aplicado aos formandos no principal curso da Instituição que me aposentei, fui o terceiro colocado dentre todos os meus pares que da Turma de Aspirantes, tem a minha origem como um Oficial. Em outra oportunidade, de formação superior, numa Universidade Pública, em curso de pós-graduação patrocinado pelo Governo Federal, com três vagas destinadas à Instituição que me aposentei, fui o terceiro colocado e mais uma vez estava entre os escolhidos, para a minha Instituição representar. Mas como tudo que se inicia, um dia chega ao fim, existindo como um Oficial, em seus três círculos: Oficial subalterno, Oficial intermediário e Oficial superior, chegou o dia de se ir ao encontro de novas oportunidades e de se poder colocar em prática toda a alegria construída. Novamente – apesar da pouca idade e do pouco tempo servindo e protegendo – fui o terceiro a me aposentar, pois já haviam ocorridas duas outras aposentadorias, mas na infelicidade da vida profissional, as duas anteriores foram por mortes. O exercício da atividade profissional transato, após o servir e proteger na Instituição que me aposentei, se deu apenas para três entes federativos e após o qual tudo se encerra em termos de venda da força de trabalho que se encerra no capital intelectual acumulado ao longo de uma vida. Como tudo que se equilibra e sendo o fiel da balança, algo tinha que não bastava, pois o um que me tornará, não se subsistia só, pelo acúmulo de homônimos, que no mundo abundava e novamente faltava, algo que apenas em um me sacramentava. Haveria a oportunidade de um novo nome construir, não apenas como homenagem a parte de um, mais a parte do outro um, acrescida do um que já sou. De um nome composto se incorporam três nomes de família, sendo dois toponímicos e um patronímico. Curiosamente, como se nasce da junção de um, somando-se a outro um, tem-se o um que me tornei, pois novamente antes de ser apenas um, sou três. Para se construir um novo nome a esse um, que sou eu, fez-se necessária a via judicial. Como uma gestação, que se inicia com a concepção e termina com o nascimento, assim também, se conduziu a retificação do meu nome. Na forma processual temos três fases: o início do processo – a petição, o fim do  processo – a expedição do Mandado de Retificação do Nome, e a efetivação do direito – o  cumprimento do Mandado de Retificação de Nome, que é a expedição, pelo cartório, dos novos documentos de registro civil. De forma aleatória essas três fases, que são o início, o fim e a efetivação do direito, ocorreram em três datas significativas. A petição junto à Justiça se dá no dia do aniversário do nascimento da minha mãe. A expedição do Mandado de Retificação do Nome se dá no dia do aniversário do nascimento do meu pai. O meu novo registro civil se dá no dia em que se comemora a minha função típica de Estado. Até aqui, tudo que filosoficamente tenho pensado, às custas de um entendimento estoico, me conduzem à uma verdade trina, de ordenamentos, conhecimentos e virtudes. Verdades estas que balizam a minha construção enquanto homem, cidadão e Estado, pois antes de ser um, sou três.

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