A quarta geração de Tiradentes

No dia de hoje, 21 de abril, data em que se comemora o Suplício do Protomártir da Independência do Brasil e ícone da Inconfidência Mineira, fiz uma visita à Maria Amélia Gonzaga Braga, a quarta geração de Tiradentes após o salgar a casa. Salgar a casa, nos dizeres de Costa Val e Viana (2008), é por sua vez uma simbologia de não permitir que sobressaiam vestígios do condenado e de seus atos, ressaltados pelo erguimento dos padrões que representavam a condenação. Após a condenação de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, pelo Tribunal de Alçada, nos termos da sentença aplicou-se o salgar a casa, o apagamento da memória do supliciado. Com o apagamento da memória, não há que se falar em herdeiros e, conforme o direito da época os bens passariam ao Estado, o Juízo do Fisco e da Inconfidência, foi instaurado para se fazer o levantamento dos bens do supliciado. Não era mais permitido usar o nome XAVIER pelos descendentes de Tiradentes, os quais passaram a assinar o nome GONZAGA. A família GONZAGA fixou residência na localidade da Boa Vista, atualmente um distrito do município de Martinho Campos, próximo aos Rios Lambari e Capivari, na bacia hidrográfica do Baixo Rio Pará. Uma das mulheres da família Gonzaga contraiu matrimônio com um dos homens da família Braga da Silva, que residia na trabanda do Rio Capivari em Córrego Areado e Barreiro no município de BomDespacho. O nome da mulher é Maria Amélia Gonzaga Braga, esposa do meu primo José Braga Sobrinho, filho da minha tia Alice Braga da Silva. Na pessoa de Maria Amélia Gonzaga Braga, fica a minha reverência e respeito ao nome TIRADENTES.
FÉ – CRENÇA OU CONVICÇÃO?

Marcílio Fernandes Catarino (*) Apresentar uma reflexão sobre a FÉ é, sem sombras de dúvidas, uma enorme ousadia para quem, como eu, está apenas a balbuciar as primeiras letras do alfabeto espiritual. Esse extenso e profundo assunto, que está muito além dos nossos sentidos físicos, foi registrado na literatura espiritualista através de estudos e tratados da lavra de eminentes e inspirados pensadores. Obviamente, para os propósitos desta reflexão que ousamos apresentar, faremos uma brevíssima abordagem sobre o tema, para ensejar um melhor entendimento do texto e sua finalidade. Para os cristãos, de modo especial e particular, o significado da FÉ adquire conotação mais profunda, pois não se trata tão somente de ACREDITAR, mas de CERTEZA sobre aquilo em que se crê. Em Hebreus 11:1 está registrado: “Ora, a fé é a certeza das coisas que se esperam e a convicção de fatos que não se veem”. Em Habacuque 2:4 e Romanos 1:17, encontramos: “… O justo viverá pela fé”. (destaques nossos) A motivação que nos levou a esta reflexão sobre o tema, teve origem em observação pessoal ao longo últimos anos, em que via manifestações de inúmeros “cristãos”, ao bater no peito e bradar com eloquência, num pretenso arroubo de fé: “não se preocupem, Deus está no controle”, ou “não temam, Jesus está no comando”. No entanto, esses mesmos “cristãos”, ao primeiro encontro com as adversidades da vida, em que viram ameaçadas a sua estabilidade social e política, a sua segurança pessoal, material, econômica e financeira, ou até mesmo por questões ideológicas, são os primeiros a caírem em desespero, a soltarem imprecações e apontarem os dedos para todos os lados, à procura de culpados. Colocam-se sempre na posição de vítimas de tudo e de todos. Que tipo de fé é essa que dizem professar, questiono? Invariavelmente, partem para as críticas ácidas, a fazerem julgamentos, na maioria das vezes distorcidos da realidade fática, cujas nuances desconhecem, buscando alhures as causas de seus infortúnios. Talvez, quem sabe, apenas para a satisfação do seu ego inflado, ou atraírem a comiseração social. No afã de demonstrarem um conhecimento que de fato não possuem, se lançam nas redes sociais divulgando textos/notícias e vídeos de autoria e origens duvidosas, muitos dos quais falsos, que a própria natureza, redação e forma de divulgação por si sós revelam. Atitude que contribui tão somente para com a disseminação da dúvida, do desalento, do medo, do pânico e da cizânia, no meio social em que vivem; a incitar a revolta, o ódio e o esmaecimento da fé naqueles que, apesar de tudo, a mantém viva em seus corações. Incapazes sequer de imaginar a extensão do mal que estão alimentando, seguem formando à sua volta uma egrégora extremamente destrutiva, com a qual alimentam e potencializam as investidas e os propósitos macabros dos Senhores da Escuridão. Creio firmemente que aqueles que carregam dentro de si a FÉ verdadeira, de que o Criador Supremo está no controle de tudo e que o Rabi Nazareno é o timoneiro do barco da Vida, não têm por que se desesperar, se revoltar, ou a que temer. Por compreendem, finalmente, que a realidade em que vivem nada mais é do que a colheita obrigatória da semeadura infeliz feita ao longo da vida. Com todo o respeito às naturais divergências – que certamente surgirão – entendo que, muito mais do que um recurso de retórica, a fé verdadeira se sustenta e se revela nas atitudes e se demonstra, efetivamente, não nos momentos de paz e benesses, mas nos torvelinhos das dores e adversidades, quando tudo parece perdido. (*)Coronel Veterano/PMMG – Aspirante 1970
Segunda Feira Literária de Bom Despacho.

A Secretaria de Cultura e Turismo — da Prefeitura Municipal de Bom Despacho-MG realizou a Segunda Feira Literária de Bom Despacho. A exemplo do que foi registrado pelo Ponto PM, o Evento Literário e sociocultural de elevado nível aconteceu, na manhã festiva deste 15 de abril de 2023, no Mineirinho da Praça da Matriz de Nossa Senhora do Bom Despacho. Ali, os participantes tiveram a oportunidade de apreciar a Arte da Metáfora Escrita da Bacia do Picão e prestigiar diversos Escritores Bom-Despachenses. 0 Senhor Coronel PM João Bosco de Castro, Acadêmico-Presidente da Academia Epistêmica de Mesa Capitão-Professor João Batista Mariano – MesaMariano e Curador do Prêmio Coronel Alvim, aproveitou a oportunidade para agraciar-me com o Diploma de Prócere Magistral em Ciências Militares da Polícia Ostensiva. O Referido Diploma é a Chancela de Notório Saber Ciências Militares da Polícia Ostensiva, com suporte no Parecer número 1295/2001, da Câmara de Ensino Superior do Conselho Nacional de Educação (CES/CNE). Acompanhando o diploma, recebi de igual modo a Medalha dele homônima e a respectiva réplica. A premiação é consequência do reconhecimento do meu livro: História (In)completa da Academia de Polícia Militar de Minas Gerais: Símbolos, Ideais e Conhecimento, considerado Obra de excelência e importância para o desenvolvimento e consolidação das Ciências Militares da Polícia Ostensiva. Participaram da premiação: 1 – O Senhor Coronel PM João Bosco de Castro, Acadêmico-Presidente da Academia Epistêmica de Mesa Capitão-Professor João Batista Mariano – MesaMariano e Curador do Prêmio Coronel Alvim, e Gestor Principal do Espaço Camões: Oficina de Saberes Letras e Artes da cidade de Bom Despacho, Estado de Minas Gerais; 2 – A Senhora Beatriz Campos de Paulo e Castro, esposa do Presidente do Sodalício e Confreira MesaMariano, que na Sessão Solene do Sodalício recebeu o Premio em meu nome, procedendo a entrega do Diploma à minha pessoa; 3- A Senhora Juliana Jaber, vice-prefeita da cidade de Bom Despacho, que procedeu à entrega da Medalha homônima ao Diploma, e 4 – A minha esposa Rosângela Maria Ferreira Silva, que procedeu à aposição da réplica da Medalha. Carlos Alberto da Silva Santos Braga. Acadêmico-Correspondente da Academia Maranhense de Ciências Letras e Artes Militares.
A Mãe de Tudo!

A Equipe do PontoPM e Grupo MindBR registra mais uma Conquista Literária alcançada pelo nosso Jornalista-Responsável: João Bosco de Castro. Após participar do Concurso Nacional Pedro Ivo de Poesia – 3ª Edição – 2023, e concorreu com o Poema MÃE DE TUDO. O notável Poeta foi premiado. O Certame foi realizado pela Academia Maranhense de Ciências, Letras e Artes Militares – AMCLAM. Leia o Poesia destacado na imagem seguinte: Eis, também, a leitura da Poema feita pelo próprio Autor:
13º Aniversário de Instalação da Mesa-Mariano.

O Décimo Terceiro Aniversário de Instalaçãoda Academia Epistêmica de MesaCapitão-Professor João Batista Mariano. João Bosco de Castro. Em 10 de março de 2023, às 9h30min, no Auditório da Fundação Guimarães Rosa ─ FGR (Rua das Chácaras, nº 210, Bairro Mantiqueira/Venda Nova, Belo Horizonte-MG), realizou-se a Cerimônia Solene Comemorativa dos Treze Anos de Instalação da MesaMariano, sob a Presidência do Acadêmico Epistêmico-Fundador João Bosco de Castro. A Sessão desenvolveu-se, ritualisticamente, em clima de fraterno e alegre convívio do Quadro Academial. À celebração do aniversário do Areópago Mesa-Marianiano (treze anos completados em 25 de fevereiro deste ano) somaram-se dois Atos Relevantes: Conferição do Prêmio Cel.Alvim a três Policiólogos da PMMG e Homenagem a duas Historiógrafas da PMMG. Cumprido o preâmbulo de boas-vindas e a descrição deontológica da Casa de Saberes e Sabedoria, todos os Presentes ao Ato Epistêmico, de pé e em atitude respeitosa, cantaram o Hino Nacional Brasileiro ─ Símbolo Poético e Patriótico nosso, com letra metafórica do Filólogo e Professor de Literatura Joaquim Osório Duque-Estrada e música do Mestre-Capela Francisco Manoel da Silva. Ainda de pé e em posição academial, os Coparticipantes da Reunião ouviram a Invocação Acadêmica, proferida pelo respectivo Autor, Acadêmico João Bosco de Castro, Presidente da MesaMariano, cuja íntegra se transcreve abaixo: Excelsa Luz dos Saberes e Sabedoria: Nutre de poderes empreendedoristas os propósitos culturais,humanizantes, socioeducativos e deontológicos desta Academia Epistêmica de Mesa Capitão-Professor João Batista Mariano, para Ela ─ vinculada à Fundação Guimarães Rosa ─ dedicar-se à discussão espontânea e ao estudo metodológico do Conhecimento, em favor do domínio teórico e prático da Religião, Filosofia, Ciência, Técnica, Arte ─ entendida esta como a harmonia entre a Natureza e a Cultura ─ e outras quaisquer formas ou espécies de Erudição ─, do Uso das Mãos ao Cultivo da Inteligência, do Mito à Cibernética e da Tecnologia à Efervescência dos Signos, Códigos e Linguagens ─ especialmente dos lusófonos e prioritariamente dos luso-tupi-afro-brasileiros, tidos como prodigioso complexo dos modos e meios para elaboração, transmissão e compreensão de textos orais e escritos conformes com os cânones gramaticais, fraseológicos, estilísticos, estéticos e persuasivos do Padrão Erudito da Língua Portuguesa ─, com vistas no fortalecimento do preceituário eticomoral, desenvolvimentista, cidadanizante e comunitarista indispensável ao vigor dos direitos humanos e do respeito à dignidade da Pessoa, e à Felicidade Universal! O Expediente Epistêmico ─ apresentado pelo citado Presidente ─ começou com bela Homenagem à Mulher, no ensejo do 8 de Março, a ela mundialmente dedicado, consubstanciada na leitura do Poema Mulher (duas Duodécimas-Rimas), pelo próprio Autor João Bosco de Castro. Eis o Poema: MULHER. João Bosco de Castro. I. Santuário da Candura, Nas maravilhas do amor, Mão avessa à sinecura E afeita ao nobre labor De erigir a compostura Nos charcos do dissabor E plantar a formosura Nos versos do trovador, Pra elevar a criatura Às bênçãos do Criador, Com sintonia de orquestra E zelo de mãe e mestra! II. Luz de amorável brandura Num sorriso encantador, Alma-gêmea da doçura Num coração de esplendor, Voz macia de ternura Num mundo escravizador, Eloquência da cordura Apropriada ao louvor: Tanto da crespa escultura Como do fino lavor: Desses dons de alto mister, O Gênio fez a mulher! Também se ofereceram exemplares de nossa Coletânea de Biografias e Panegíricos da MesaMariano (editada e distribuída em 2020, em pleno flagelo pandêmico da Covid 19) a quem ainda não conhecia tal Obra. Anunciaram-se, ainda, ao Plenário Epistêmico as propostas de duas Reuniões Mesa-Marianianas Itinerantes: uma prevista para 19 de maio de 2023, às 9hs, na Academia de Polícia Militar do Prado Mineiro, com a posse de dois Candidatos ─ do Coronel Eugênio Pascoal da Cunha Valadares (Comandante da anfitriã, a Nobre Escola do Prado Mineiro), na Categoria de Acadêmico Epistêmico, e da Professora Eliana Cançado Ferreira, na Categoria de Acadêmica Honorária; a outra, prevista para a semana de julho de 2023, na qual esteja o dia 9 ─ aniversário do heroico Machado de Prata ─, no Quartel do Sétimo Batalhão de Polícia Militar, em Bom Despacho-MG, durante a qual o Acadêmico-Honorário Isaac de Oliveira e Sousa apresentará um Ensaio sobre a Integração Operacional dos órgãos da segurança pública, de acordo com entendimentos estabelecidos com o Comandante da citada Unidade Anfitriã, Tenente-Coronel Luciano Antônio dos Santos. Referidas propostas mereceram aceitação e aplauso de Confrades e Confreiras, bem como apoio administrativo e logístico assegurado por nosso Confrade Coronel Pedro Seixas da Silva, Presidente do Conselho-Diretor da MesaMariano e Superintendente-Geral da Fundação Guimarães Rosa, mantenedora desta Casa de Saberes e Sabedoria. Encerrado o Expediente, executaram-se os dois Atos Relevantes da Reunião. 1.Conferição do Prêmio MesaMariano ─ FGR Coronel Alvino Alvim de Menezes das Ciências Militares da Polícia Ostensiva (Prêmio Cel.Alvim), de 2020, 2021 e 2022 ─, interrompida por imperativos sanitários ditados pela pandemia do Covid 19. Três Policiólogos da Polícia Militar de Minas Gerais venceram este importante Certame Policiológico: Versão 2020 ─ Tenente-Coronel Flávio Jáckson Ferreira Santiago, com seu Livro A Sombra por Trás da Onda: alta participação da dependência química na criminalidade; Versão 2021 ─ Tenente-Juiz Rodrigo Foureaux, com seu Livro Justiça Militar: aspectos gerais e controversos; Versão 2022 ─ Major Veterano Carlos Alberto da Silva Santos Braga, com seu Livro História (in)Completa da Academia de Polícia Militar de Minas Gerais: Símbolos, Ideais e Conhecimento. Por dificuldades de saúde, o Major Carlos Braga não compareceu à Premiação, e já reagendou, para recebê-la, sua vinda a Bom Despacho-MG, no Espaço Camões: Oficina de Saberes, Letras e Artes ─ ECOSLA, em 15 de abril de 2023, logo após a realização da Segunda Feira Literária da Cidade. Cada Vencedor do Prêmio Cel. Alvim recebeu o Diploma de Prócere Magistral em Ciências Militares de Polícia Ostensiva, com Chancela Notório Saber, a Medalha Cel. Alvim e respectiva Réplica para Lapela. 2. Homenagem às Historiógrafas da PMMG Coronela Lívia Neide de Azevedo Alves e Capitã Veterana Denise dos Santos Gonçalves, pela excelência da totalidade (pesquisa, sitematização e redação) do Livro 40 Anos da Mulher na Polícia Militar de Minas Gerais, do qual são Coautoras. Nenhuma delas compareceu à Homenagem: a Coronela Lívia, por
“A esquerda tem medo, não tem política de segurança pública”.

Encontra-se, na primeira edição da Revista Brasileira de Segurança Pública, publicada em 2007, a entrevista denominada A esquerda tem medo, não tem política de segurança pública. A entrevistadora foi a Socióloga Julita Lemgruber e o entrevistado foi o Ministro da Suprema Corte da Argentina Eugenio Raúl Zaffaroni, conforme descrições em seguida. Na publicação daquela Revista, alguns textos foram destacados. Nesta postagem, tais textos, encontram-se em negritos, nas respectivas respostas do Entrevistado. Conheça mais detalhes, lendo a entrevista transcrita a seguir: “Eugenio Raúl Zaffaroni, entrevistado por Julita Lemgruber Eugenio Raul Zaffaroni é ministro da Suprema Corte da Argentina, professor titular do Departamento de Direito Penal e Criminologia da Universidade de Buenos Aires, doutor honoris causa pela UFRJ e diversas outras universidades e vice-presidente da Associação Internacional de Direito Penal. Entre suas obras publicadas no Brasil, estão “Em Busca das Penas Perdidas”, “Direito Penal Brasileiro”, em co-autoria com Nilo Batista, “Manual de Direito Penal Brasileiro” e “Da Tentativa”, ambos em co-autoria com José Henrique Pierangeli. Zaffaroni defende um ponto de vista sobre o sistema penal que define como “realismo marginal”. Discute a realidade dos países periféricos, com base na qual as penas criminais não podem ser juridicamente fundamentadas, uma vez que elas têm um sentido político. Partindo destes pressupostos, vinculados a uma criminologia crítica,Zaffaroni apresenta suas contribuições para a dogmática penal.Uma de suas principais contribuições nesse âmbito é o conceito de “culpabilidade por vulnerabilidade”, que leva em conta a seletividade do sistema penal para a aplicação da pena. Julita Lemgruber, socióloga, mestre pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), é diretora do Centro de Estudos em Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes (CESeC-UCAM), integrante do conselho do International Center for Prison Studies (Londres), integrante do conselho diretor da Altus Aliança Global (Haia). Foi diretora do Departamento do Sistema Penitenciário e Ouvidora de Polícia do Estado do Rio de Janeiro. É autora dos livros “Quem vigia os vigias?” (2003) e “Cemitério dos vivos: análise sociológica de uma prisão de mulheres” (1998). jlemgruber@candidomendes.edu.br (*Diversos membros do Fórum contribuíram com suas perguntas para esta entrevista) LEMGRUBER: Com a democratização dos países da América Latina, o problema da segurança pública passou a constituir-se num dos principais desafios dos novos governos da região. As altas taxas de criminalidade e o precário funcionamento das agências de segurança pública têm dado margem a um discurso populista de endurecimento penal. Na sua opinião, que impacto isso pode trazer para a construção da democracia na América Latina? ZAFFARONI: Acho que o novo “popularismo penal” (não é “populismo”, que é outra coisa, especialmente na América Latina) é uma demagogia que explora o sentimento de vingança das pessoas, mas, politicamente falando, é uma nova forma do autoritarismo. A violência aumenta porque aumentou a miséria. Os anos 1990 foram os anos do festival do mercado: os pobres ficaram mais pobres e alguns ricos, nem todos, mais ricos. Os mesmos autores dessa política de polarização da sociedade são os que hoje pedem mais repressão sobre os setores vulneráveis da população. Querem mais mortos e, entre infratores e policiais, mais “guerra”. No final, eles são invulneráveis a essa violência. A “guerra” que pedem é a “guerra” entre pobres. Na medida em que os pobres se matem entre si, não terão condições de tomar consciência da sua circunstância social e, menos ainda, política. O perigo para os reacionários não é a morte nas favelas, nem a morte dos favelados, nem a morte dos policiais, mas o risco de os pobres se juntarem e tomarem consciência da armadilha penal. Essa política dos chamados comunicadores sociais e políticos sem programas, que só querem mais poder policial, no fundo é a neutralização da incorporação das maiorias à democracia. É manter um mundo não civilizado marginalizado do mundo civilizado. O mundo da favela e o mundo da Barra![1] Na medida em que os da favela se matam (aí estão incluídos os policiais), a Barra não tem perigo de invasão, só algum criminoso isolado, mas nada de reclamação política, nada da consciência dos excluídos, nada que possa pôr em perigo as estruturas de classe, que se tornam estruturas de casta na medida em que a sociedade impede a mobilidade vertical, máxima aspiração dos “popularistas penais”. LEMGRUBER: No Brasil, assim como em alguns outros países, percebe-se claramente que o discurso da esquerda é cada vez mais semelhante àquele sustentado pelos conservadores, notadamente quando o assunto é crime e violência. Em sua opinião, por que a esquerda tem sido, em geral, incapaz de afirmar um caminho próprio ao tratar da segurança pública? ZAFFARONI: A esquerda tem medo, sabe que a imputação da direita a ela é sempre a de ser desordeira e caótica. Por causa disso, para obter o voto da direita, procura providenciar uma imagem de ordem. No final, a esquerda é usada, porque a reclamação por vingança não tem limites e porque a segurança pública jamais pode ser absoluta. Assim é que o trabalhismo inglês fez leis mais repressivas do que os conservadores. Um dia ele (o trabalhismo) vai sair do governo desprestigiado e os conservadores vão dizer – sem dúvida com razão – que as leis repressivas não são deles. O socialismo italiano, anterior aos mani pulite, fez a mesma coisa. Num plano micro, é o mesmo erro que, no plano macro, foi praticado pela social-democracia alemã quando excluiu os candidatos judeus das chapas após à ascensão do nazismo. Os socialdemocratas sobreviventes que puderam fugir lamentaram e reconheceram tal erro, com certeza, no exílio. LEMGRUBER: Em 1985, quando predominavam os governos militares e ditatoriais na América Latina, o senhor coordenou um estudo sobre a situação dos Direitos Humanos na região. Na sua opinião, o que mudou em relação ao diagnóstico produzido há mais de 20 anos? ZAFFARONI: Mudou, sem dúvida. Hoje não temos ditaduras militares, pararam os crimes contra a humanidade praticados pelos governos ditatoriais. Não temos “desaparecidos” nesse sentido. Mas temos alguns “desaparecidos” policiais, temos o chamado “gatilho fácil” (pessoas mortas pela polícia sem processo, ou seja, pena de morte sem processo), temos prisões que são campos
Espaços públicos e significados.

Largo, Larguinho, Campo, Praça, Rotunda e Praceta são alguns espaços públicos e significados divergentes, nos lugares que falam o Português. Sem desmerecer e, muito menos ainda, desconhecer os esforços dos nobres pares que, passando por vários significados viários, julgam ser a mesma coisa, aquilo que conceitualmente não o é. Por muitos anos, até residir em Portugal, me perguntava “O por quê de Larguinho?” aquilo que para mim era uma pequena praça, que existe na minha Bom Despacho, no Estado de Minas Gerais, atualmente conhecida como Praça Altino Teodoro. Como especialista em mobilidade urbana sabia que conceitualmente o “larguinho” ou o pequeno largo, também não poderia ser praça, haja vista ser a “praça” um encontro de várias ruas ou avenidas, que a cortam diametral ou radialmente, ou ainda um espaço ladeado por três ou quatro ruas ou avenidas diferentes, permitindo a circulação em todo o seu perímetro, ou de veículos, ou de pessoas ou de animais. Em Braga – Portugal, eu residia numa Praceta, conceitualmente uma pequena praça acessada apenas por uma via de entrada e saída, quase um condomínio fechado. Pouco acima estava o Campo das Hortas, uma praça maravilhosa e pouco mais à esquerda o Campo das Vinhas, outra magnífica praça, estava alargado o meu entendimento de “praças”. Abaixo da minha morada, na via de acesso à Praceta, havia uma Rotunda, ou seja, uma rotatória, um artifício da engenharia de trânsito para redução de conflitos e fluidez do tráfego. Mas e o Larguinho, o pequeno Largo? Bom, como o próprio nome o diz, algo que se torna óbvio quando se vive a criação romana de antes de Cristo, um Largo ou Larguinho, é um espaço público, ao largo da via, na lateral da via, com acesso apenas pela lateral daquela via, não há encontro de outras vias e nem tampouco cruzamentos e que adentra ao perímetro do quarteirão ou quadra – conforme a linguagem local. Como diziam os povos de antanho: “Passei ao largo”, que quer dizer“passei pelo comprimento do lado”. Ou ainda, como reforço de linguagem, um grande veículo com a inscrição em espanhol “veiculo largo” veiculo comprido. Assim, eu posso cruzar uma Praça, adentrar à uma Praceta, confluir num Campo, fazer uma manobra na circulação de uma Rotunda, mas nunca poderei executar tais operações de trânsito, como as descritas, num Largo ou Larguinho, pois o objetivo de ambos é o acesso a um espaço público com circulação de veículos, pessoas ou animais de forma condicionada. Depois de anos, percebo que o Larguinho, na minha Bom Despacho, pode ter sido edificado com o sentido de origem, no entanto, hoje é uma Praça e só romanticamente é considerado como um Largo. Espero ter ajudado.
Qual é a nossa geração dentro do conceito temporal?

Ao se indagar qual é a nossa geração dentro do conceito temporal, verifica que se encontra nas bases do pensamento econômico, sustentadas pelos estudos de Adam Smith. Definiu-se, então, como regra para determinar as gerações e a recomposição da força de trabalho um quarto de século. Assim, até hoje, quando se fala em gerações o limite temporal que nos vem à nossa mente é de 25 anos. Isso não quer dizer que quem nasceu há 25 anos passados já não pertence à geração atual, pois passado um dia dos 25 anos do limite temporal, a geração atual é outra. Isso é um equívoco interpretativo, ou seja, uma falácia. A minha, a sua, a nossa geração não se define como a minha, a sua, ou a nossa classe de formatura, um ano é um marco e não uma geração. Dar nomes, criar esteriótipos, ou ainda, qualificar uma geração pelas ferramentas disponíveis num mundo do conhecimento é a maior das hipocrisias, só faz sentido para quem formulou o conceito e os pares que o validaram num mundo de pura retórica, contingenciada pela necessidade de atribuir um nome. Uma geração, do ponto de vista de geração de riqueza e reposição da força de trabalho, como argumento conceitual da riqueza das nações é sim de 25 anos, mas não se aplica ao momento atual porque a sua concepção conceitual foi numa época de condições de trabalho, vida e salubridade eram próprias daquele momento. A nossa geração sob o prisma tempo conceitual é aquela que passa pelos mesmos dilemas, enfrentando-os com os mesmos conhecimentos, com as mesmas habilidades e com as mesmas ferramentas, encontrando ao final uma mesma lógica na sua solução. Facilmente explicável quando se aborda algo comum a todos nós, como por exemplo a formação para a vida. Numa imagem simples, vamos admitir como hipótese a vida escolar, com os nove anos do ensino fundamental e os três anos do ensino médio. Nesses 12 anos, tanto o entrante como o finalista vivem o mesmo modelo de produção do conhecimento, com as mesmas regras, os mesmos recursos e o mesmo direcionamento construído a partir das políticas públicas de educação. Mesmo sendo uma instituição particular, as diretrizes são estabelecidas pelo poder público, pois o objetivo é a qualificação para o ensino superior. Ao ingressar no ensino superior, ou mesmo no ensino profissionalizante, o foco será vencer aquela fase de formação, encontrar um bom estágio, ser reconhecido no estágio e acessar o mercado de trabalho e enfim ser um profissional, onde o mérito decorre não mais das políticas públicas de educação, nem do intercâmbio mercado de trabalho e escola e nem tampouco dos processos, mas sim da sua capacidade de entender o mundo – habilidade e competência. Não é um processo fácil e acaba por consumir outra parte das nossas vidas, de forma clara e ao olhar para os nossos lados perceberemos que já não são apenas 25 anos, a idade já se passou e ainda não reproduzimos, as estatísticas dizem isso, os censos reforçam isso e a história oral de cada um de nós confirma isso. Sim, 25 anos não definem mais as gerações, o que as definem são os problemas próprios de cada sociedade em lugares, condições de desenvolvimento, capacidade de manutenção da vida e do capital intelectual, respeito pela natureza e produção de alimentos e principalmente com o ser humano, algo muito complexo num mundo das informações que, invariavelmente, não se preocupa com a verdade necessária – aquela que filosoficamente trata da origem. As gerações de hoje são produtos do momento que vivemos, obviamente que os não-esclarecidos, os incapazes, os não habilitados ao conjunto das informações e os cerceados de direito de aprendizagem, não têm culpa das consequências decorrentes, exceto se o fazem por manipulação ideológica, por manipulação dos meios de comunicação social, ou ainda por procurar usufruir vantagens que desconsideram a humanidade e validam apenas a sua mais-valia, outra abordagem do pensamento econômico. Em suma, para qualquer direção que se tende analisar as gerações, dentro do contexto temporal, o ingrediente do Homo Economicus será o cerne da análise, afinal o homem é produto do meio e a barbárie e o progresso são como a roda do tempo, indiscutivelmente, retornaremos à barbárie, para assim alcançar um estágio de progresso mais avançado, com esta abordagem manifestava-se Giambattista Vico no século XVIII, ou seja, nada é novo.
Uma Mulher e seus parentes militares.

Nos seus oitenta e oito anos de vida, Graciosa teve esplêndida convivência com muitas pessoas, familiares ou não. Mas, na sua vida, conviveu muito com os militares mineiros. Tornou-se então, uma mulher e seus parentes militares. Neste Dia Internacional da Mulher, conheça a homenageada, desde o nascimento, infância, adolescência, casamento, família e o parentesco com militares e suas atividades acadêmico-literárias. O nascimento e a infância de uma mulher e seus parentes militares. Graciosa veio ao mundo, no dia 10 de setembro, no ano de 1929. Em seguida, veio uma das Primaveras mais floridas de Itapecerica, cidade aprazível da Região Geográfica Imediata de Divinópolis. Os anos passaram, dia após dia, naquele tempo festivo e aumentava a alegria dos pais, irmãos, tios e primos. Tempos depois, Graciosa mudou-se, com os queridos familiares, para Bom Despacho. Nessa cidade, edificaram-se as instalações da Estrada de Ferro Paracatu (EFP), que tornou-se o Ramal Paracatu da Rede Mineira de Viação (RMV), criada em 1931. Naquele ano, editou-se o Decreto-Lei n° 9.969, de 09 de Julho, criando o 7° Batalhão de Caçadores Mineiros da Força Pública do Estado de Minas Gerais, atual 7º BPM. Um de seus tios ingressou nessa unidade, tornando-se sobrinha de militar. Na infância, Graciosa viveu momentos de alegria, com as outras duas irmã. Houve, porém, um momento de tristeza, com o falecimento de uma delas. Veio-lhes, no entanto, o tempo de conquistas! Ambas as irmãs realizaram o Ensino Primário no Grupo Escolar de Bom Despacho. Não houve, contudo, a continuidade dos estudos, na Escola Normal, própria para moças daquela época. Isso implicaria na mudança de cidade e custeios elevados. A adolescência e o casamento uma mulher e seus parentes militares. Novo tempo de conquistas chegou às irmãs adolescentes da Cidade-Sorriso. Qualificaram-se para o acesso ao trabalho, na Companhia Industrial Aliança Bom-despachense (CIAB), fundada em 1938. Graciosa e a irmã trabalharam, naquele empreendimento, conhecido pelos Bom-despachenses de “fábrica de tecidos”. Sentiram-se, novamente, vencedoras. Alcançaram a possibilidade de independência, com os ganhos financeiros, ainda que pequenos. Às moças e aos moços abastados, favoreciam-lhes as escolas internas, nas cidades maiores das cercanias. Aos filhos dos ferroviários, da RMV, e dos militares, do 7º BPM, restavam-lhes, tão somente, alcançar uma das vagas disponíveis, na carreira ferroviária ou militar. A família de uma mulher e seus parentes militares. Primeira e segunda gerações de militares Além do seu tio, um de seus irmãos ingressou naquela Unidade da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG). De igual modo, aquele que seria seu esposo, ingressou-se no 4º Batalhão de Uberaba. Com isso, Graciosa — que era sobrinha de militar — tornou-se irmã e mulher de militar, após se casar, no dia 8 de fevereiro de 1947, na Assembleia de Deus de Bom Despacho. Possivelmente, o Tu és divina e Graciosa…, do cancioneiro popular, som do clarinete, tocado pelo jovem esposo, soava-lhe melodicamente. A música uniu o jovem casal. Tornaram-se músicos e apaixonados e tementes da Deus. Foram abençoados, com a chegada dos filhos. Alcançaram, pois, nova conquista, com o ingresso do irmão do esposo e e marido de sua irmã, na PMMG. Graciosa se tornou cunhada , por duas vezes, e prima-irmã de militares, após um de seus primos-irmãos ingressar, no 7º BPM, e um outro matricular-se no Curso de Formação de Oficiais, no Departamento de Instrução (DI – da PMMG). Terceira Geração de militares O tempo passava e Graciosa ousou ir mais longe. Mudou-se com os filhos, a Belo Horizonte. Ficaria perto do esposo que, na Capital do Estado, realizava o Curso de Formação de Oficiais de Administração. Depois, mais uma vez, prima-irmã e tia de militares, um primo-irmão e um de seus sobrinhos ingressarem na PMMG. Seguiram-lhes, na carreira militar, outro primo-irmão e seus dois filhos mais velhos. Graciosa tornou-se, respectivamente, pela primeira vez, prima-irmã e tia e mãe de militares. Pouco tempo depois, a filha mais velha casou. O genro de Graciosa era Repórter da ex-Rádio Guarani, mas ingressou-se, também, na PMMG. Pela ela primeira vez, foi sogra de militar. Depois, Graciosa tornou-se, numa terceira vez, cunhada de militar. Contudo, outros dois sobrinhos, seguiram os exemplos dos pais — um irmão e outro cunhado de Graciosa. Tornou-se, pela primeira vez, tia de militares. Novamente, foi prima em segundo grau e mãe e tia de militares, após os filhos de dois dos seus primos-irmãos e mais um de seus filhos, e dois sobrinhos, e uma de suas filhas ingressarem na PMMG. Quarta geração de militares De igual modo, Graciosa ficou muito feliz, quando soube que um de seus sobrinho-neto e um de seus netos e o esposo de uma de suas sobrinhas-netas ingressaram, também, na PMMG. Um de seus netos casou uma militar. Foi pela primeira vez, avó e tia-avó de militares. Depois, uma de suas filhas casou-se com um militar. Graciosa se tornou sogra de militar, pela segunda vez.O casal foi abençoado por Deus. Geraram dois filhos. Esses seguiram os passos dos pai, ingressaram no Corpo de Bombeiros Militares — CBM-MG. Assim, Graciosa foi, pela segunda e terceira vezes, avó de militares. Foi, ainda, pela segunda e terceira vez, tia-avó de militar. Profissionalização e despedida deste mundo Em meio a tais acontecimentos, no princípio da Década de 90, Graciosa cursou o Ensino Supletivo dos 1º e 2º graus. Aprovada no Concurso do Vestibular, graduou-se em Pedagogia, na Faculdade Belo Horizonte, atual Centro Universitário de Belo Horizonte (UNIBH). Especializou-se em Supervisão Escolar e escreveu os Livros Adolescentes Bem-Sucedidos e Vitoriosos e A História de Henrique (no prelo). Após uma vida de muitas lutas e de conquistas, a Vitoriosa Graciosa, denominada — mais de uma vez e publicamente — de Mulher Virtuosa, deixou-nos. Partiu ao encontro do Deus Único e Vivo que ela creu, e ensinou isso aos seus queridos familiares. Em suma, deixou-nos, no final da manhã do dia 18 de janeiro de 2018. Encontrava-se internada, no Hospital da Polícia Militar, onde ganhara os cinco filhos caçulas. Eis, afinal, o porquê da Homenagem do PontoPM, neste Dia Internacional da Mulher, à uma mulher e seus parentes militares.
Por que o Ocidente quer a vitória da Ucrânia? Dividir para dominar.

Não, não me posicionei a favor da Rússia e nem tampouco de Putin no post anterior, cuja temática continua a ser a luta pelo poder. A guerra entre a Ucrânia e a Rússia baseia-se na mais antiga tática do poder: dividir para dominar. O fato de ser abordada o questão política que tende à direita em contrapartida à social-democracia – o comunismo do capitalismo – decorre do pensamento reinante nos meios de comunicação social e manipulação da opinião pública, onde tudo que é contrário à social-democracia é considerado como extrema-direita. A vitória da Ucrânia poderá desencadear um processo de cisão da Federação Russa, onde as suas 89 subdivisões federais, sujeitas aos mesmos direitos e deveres de acordo com a Constituição da Federação Russa, em tese, tenderiam à luta pelo poder e dominação de outras subdivisões internas e tal qual a África, seria jogada à própria sorte, ou na verdade, à própria desgraça. Afinal o equilíbrio de forças deixaria de existir e o povo que hoje faz parte da Federação Russa pagaria pelos anos da guerra fria e da culpa pela perseguição aos judeus. Nada diferente do que hoje se vê no Oriente Próximo. Não haverá paz entre Rússia e Ucrânia, assim como não há paz entre Israel e Palestina, ambos são povos com questões milenares a serem resolvidas. Em ambos os casos há uma imposição da Comunidade internacional à custa de forças letais e, em ambos os casos, de nada valerá as ações da ONU. Não nos esqueçamos de que a Rússia é membro permanente e com poder de veto no Conselho de Segurança daquele organismo supranacional. A única forma de acabar com o poder da Rússia é extinguindo a Federação Russa, que não existindo, não poderá impor restrições às intenções da OTAN e assim a ONU não mais será uma Liga das Nações, passando a ser um órgão ratificador dos interesses Americanos e Europeus. Não é optar entre Rússia ou Ucrânia, com o discurso de preservação da vida – principalmente dentro do sistema legal reinante onde o aborto é livre – é sim optar pelo equilíbrio das forças, pela negociação para o fim da guerra, ou seja, pelo armistício. Já se perdeu em não negociar tempestivamente, em estimular o uso de armas, em remanejar recursos logísticos, em apostar na inocência de um povo – o ucraniano – de que a OTAN daria suporte necessário para o alcance dos seus objetivos, da sua liberdade e da sua independência, basta apenas olhar para trás e perceber que nada correu bem nos países onde a OTAN valeu-se de discurso semelhante.
