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Primeira Feira Literária de Bom Despacho

Na manhã de hoje, 9.4.2022, participei da Primeira Feira Literária de Bom Despacho, com vários de meus Livros, em companhia de muitos Colegas Escritores. Não sou dado a Feiras e Eventos dessa espécie, porque, em várias deles, impera a sanha do vedetismo com lucrismo, além da desorganização e apatia do Poder Público e Sociedade em relação à importância do Livro e ao incentivo à Produção Literária. Nesta Primeira Feira Literária de Bom Despacho, tive a alegria de assistir ao contrário a tudo isso. Evento bem-organizado e cheio da coparticipação virtuosa de Escritores, Povo — Crianças em sadio espírito de curiosidade e interesse nas Coisas de Humanidades — Escolas, Representantes do Comércio e Indústria, Poder Público Municipal — especialmente pelos Quadros de Pessoal da Secretaria de Cultura e Turismo — e Academia Bom-Despachense de Letras, em prol de expressiva e grandiosa Festa do Livro, nesta abençoada Cidade-Sorriso. Pela primeira vez, gostei de uma Feira Literária. Minha modesta coparticipação contou com o esforço e entusiasmo proativo de Beatriz Campos de Paulo e Castro, minha querida Esposa e Companheira. Parabéns, Bom Despacho e respectivos Escritores, pelo alto nível de sua Primeira Feira Literária! Parabéns e muito obrigado ao Prefeito Bertolino Costa e à Secretária Municipal de Cultura e Turismo, Doutora Rosimeire Cássia dos Santos, e a todos os Servidores Municipais empenhados em tão importante Trabalho de Transformação de Pessoas e Valorização de Talentos! Veja almas fotos do Evento Literário.

POLIGAMIA!

                                                                                     (João Bosco de Castro). Às Cinco Mulheres Minhas, Que Ainda As Posso Ter.   DÉBORA, és a abelha LIS, a operária De vida vária e de cabeça afeita À vontade virtuosa e ao trabalho!… JANAHINA: a boa ZÁHIDA, de cabeça e de bons modos, Cheia de Apolo e de Dionísio, sem aviso, Que ligas o Mar bramoso ao Paraíso!… BRUNA, que tens o ar inquieto de uma DÁPHNE E do campeão: um vencedor fremente, Que jamais cansou os ossos e não cansa a mente!… ANA, a cordeirinha  ̶  tão LÍVIA, a qualquer hora, todo dia, Muito manhosa e coberta de ingresia, Nesta feliz alegoria de soberba: Porque são todas  ̶  todas e todas!   ̶  Cheias de vida e embevecidas Desta GRAÇA, a mãe DAGÁ, forte guarida, A grande Obreira, audaz e muito arteira, Mas serena, exigente e convencida De que a Vida vale esta vida! ̶  E valerá?!… Oh! Se valerá!…  ̶ Oh! Se valeu, inda vale e valerá, Porque me propelem as Cinco à labuta diuturna De trabalho ao trabalho, suor e malho, Peças gentis dum mosaico de retalho!… Filhas e Mãe, a quem amo e amarei, A meu modo travesso e silencioso Aos ouvidos, e ao coração, loquaz, Que refuta a guerra e guarda a paz, Dote capaz de tornar o Homem homem, Neste mercado infeliz de lobisomem!…, Mundo sutil, que ablui o corpo imundo, Para fazê-lo mais são e mais fecundo, Ainda que lhe não respeitem o direito De ser um humano Mundo!… Filhas e Mãe, de quem gosto e gostarei, Deste meu jeito, que rejeito, Pois as amo e amo, tanto, Tanto e tanto, que o meu acalanto Não passa, às vezes, de silentes suspiros, Que não lhes dizem, mas lhes falam uma verdade! E a Verdade fala: Enquanto houver Amor, a Vida exala O hálito perene e tão solene: Que não é mais que a própria vida, Esta nossa, que é só nossa, e a Outra Vida! Bafejo real ou sopro incerto de quimera, Esta Vida une o Outono à Primavera! Belo Horizonte, MG, 12 de setembro de 1.987. JOÃO BOSCO DE CASTRO.

Alegre e Camarada, Bem-Te-Vi!

bem-te-vi-alegre-e-camarada

Naquela manhã do Verão de 2022, passaram-se os dias chuvosos e muito nublados. Ouvi — de o Bem-Te-Vi — seu alegre e camarada e denunciador piado! O som manifesto e ouvido, traduzia e indicava sua aproximada presença. Abri a janela devagarinho, a fim de não espantá-lo. No entanto, lá estava, alegre e camarada, o amigo! Posso chamá-lo assim, pois, pelo seu piado – bem te vi – identifico seu gênero. Li, também, no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa que, segundo suas espécies, pode ser chamado de Bem-Te-VI: “arapongas”; “assobiador”; “barulhento”; “cabeça-de-estacas”; “carijó”; “carrapateiro”; “cartola”; “cavaleiro”; “cinza”; “de igreja”; “do-bico-chato”; “de-cabeça-rajada”; “de-coroa”; “de-coroa-vermelha”; “de-gamela”; “de-três-riscas”; “do-brejo”; “do-chão”; “do-gado”;  “do-mato”; “do-mato-virgem”; “escuro”;  “gameleiro”; “miúdo”; “pato”;  “peitica”; “pequeno”; “pintado”;  “pirata”; “preto”; “rajado”;  “riscado”; “solitário”; “verdadeiro”;  “zinho”; “zinho-de-asa-ferrugínea”; “zinho-de-penacho-vermelho”;  “zinho-do-brejo”; “zinho-ladrão”; “zinho-rajado” e “zinho-riscado”. De aparência juvenil, todo faceiro, o alegre e camarada brincava tranquilamente. Parecia um Bem-Te-Vizinho! Porém, isso nunca, não era! Nunquinha, para ser exato! Tinha janeiros passados. Esquecia-se disso, a julgar pelas brincadeiras descabidas aos Bem-Ti-Vis adultos! Esperto, fotografei-o, usando a câmera do mobile! Fui cuidadoso, ao afastar as bandas da cortina decorativa da janela do quarto. Mantive-a semiabertas, em silêncio, pois, qualquer descuido, visual e sonoro, o menor que fosse, seria o suficiente a afastá-lo. Teria destino e pouso certeiros. Desfrutaria, mais uma vez, da largueza dos benefícios da Amendoeira localizada do outro lado da rua onde moro.   Naquela Amendoeira, judiada pelos poluentes abundantes da Urbe, sentia-se feliz! Nela, por certo, passara bons momentos, na companhia do casal de Bem-Te-Vis que o criaram. Era fruto natural e consequente da Criação Divina e da união do Bem-Te-Vi macho e da Bem-Te-Vi fêmea. Agora jovem ou adulto, experienciava a liberdade plena. Voava, despreocupado e sozinho, longe das vistas dos genitores, e brincava de ser um passarinho! Sim! Um bem-te-vizinho treteiro! Ali, na frente de minha câmera, encontrava-se, o alegre e camarada! Tranquilo, como se fosse o dono de tudo, em meio aos arbustos verdejantes que se mostravam enfastiados, pelo excesso das chuvas, e, pela ausência do Sol, carecidos de sustância clorofiliana. Em pouco tempo, as folhas ficariam amareladas, da mesma cor da parte posterior dos Bem-Te-Vis! Com o tempo, arrisquei um assovio suspeito e humanizado: bem-te-vi!!! Repeti, uma, duas vezes. O resultado foi muito favorável. O Alegre e Camarada Bem-Te-Vi voou para mais perto da janela, pousando no último lugar possível. Teria a expectativa de algum contato entendível? Como saber? Talvez os ornitólogos, especializados em Bem-Te-Vi, saibam… Percebi a insistência daquele Bem-Te-Vi, distante menos de quatro metros, na tentativa de localizar visualmente o autor do bem-te-vi imitatório. Tomei a iniciativa. Mostrei-me a ele que, espavorido, voou rumo à Amendoeira!  Por que o Bem-Te-Vi fugiu, se há pouco mostrava-se solícito à aproximação amigável? Ao meu pensamento vieram duas magníficas cenas descritas no Livro de Gênesis, da Bíblia Sagrada. A primeira, do homem, no Éden, com o domínio sobre os seres vivos (Gênesis 1:26-27; 2:19-20) e com a orientação de guardar e cultivar a Terra (Gênesis 2:15). A outra cena, ressai, igualmente, da Narrativa Bíblica, do diálogo de Deus com Noé, na Aliança Pós-Diluviana: “E será o vosso temor e o vosso pavor sobre todo animal da terra e sobre toda ave dos céus; tudo o que se move sobre a terra e todos os peixes do mar na vossa mão são entregues” (Gênesis 9:2).  Dos Bem-Te-Vis, sei muito pouco! Do temor e do pavor entre os seres vivos, mais por conta daqueles ditos inteligentes, tenho muita certeza!

ENCONTRO NO CÉU…

À memória de Nair Maria [Eleutério] dos Santos ─ minha Primeira-Sogra e minha Outra-Mãe ─ e em homenagem a outros cinco Vultos da Paz! João Bosco de Castro. Vó-Nair partiu pro Céu,Quando eu fiz setenta e cinco…Voou envolta no véuDe quem amou com afinco! Beirava os noventa e nove,Tinha prosa divertida,Eis então Deus a removeDesta para a eterna-vida. Ao vê-la, o Bom-Pedro abriuA ela semblante ameno…Abraçou-a e sorriu,Não a deixou ao sereno. A Casa é sua, ó Nair, Dela aufira bom-proveito. Dê claridade ao porvir, Descanse, aqui, a seu jeito. Ela fitou no GestorDaquela amável Morada,Com bons-modos de louvor:Ficha-Limpa, Alma-Lavada! Quis notícias do Marido,Netos, Filho e da Caquim,Lançou o olhar tão compridoÀ bela Amplidão sem fim. Entre!…Você os verá!(Disse-lhe o Porteiro-Santo)…Você veio para cá:Lugar de pio acalanto. Eles estão muito bem, Segundo o Eterno-Juízo,E querem tê-la, também,Nas Glórias do Paraíso. Entre, Nair bem-amada!Você merece esta Paz…Não se faça de rogada!Seu passado satisfaz Às Leis do Mor-Criador.Com fé na Santa-Bonança,Você tem alto penhor!Ela encheu-se de esperança E entrou na Mansão dos Bons,Onde Márcio e Jão-’Zevedo,Juninho e Carlos ─ co’os tonsDo vastíssimo arvoredo E aos sons do dó-ré-mi-fáDos Cantos da Eternidade ─ Agregaram-se à Dagá: Maestrina da Bondade!… Nair transfundiu-se, limpa,Aos Mirandas-Eleutério ─ Eta Família supimpa!…─,Nas Glórias do Refrigério… Ela, agora, está no Céu,Ungida de Amor e Paz,Onde não há escarcéu Nem tretas de Satanás! Festeje bem, ó Nair,O encontro com seus Amados,Respire os ares de Ofir,Não nos deixe ser coitados… Nosso abraço ao Jão-’Zevedo,Juninho e ao Márcio Amaral…À Vó-Graça, o riso ledo;Ao Carlos, voz triunfal! O Céu é paz com vitória,Lugar de Luz e Louvor,Sacro Palácio da Glória:Fé-Poema ao Esplendor! Pelos Cinco embevecida,Celebrada com carinho,Nair tem sua outra-vidaNo “outro lado do caminho”: Estrada da SantidadePor onde se acertam passos, Escola da Caridade, qual se apagam fracassos, Cujo Mestre vem de Hipona,O Sábio Santo Agostinho,Com quem Nair, boa Dona,Aprendeu, bem-direitinho, A mais ditosa CartilhaDa vida singela e santa,E praticou a partilhaDe tudo quanto se planta E colhe, co’a nobre Mão,Como, na vasta Isidoro,Fizeram Nair e João:Roça farta, água sem cloro… Ela criava galinhas,Tecia couves no chão,Primorava ladainhasEm prol do arroz e feijão! Nair nos ensinará,Lá das Cátedras Celestes,O amorável bê-á-bá:Doação de amor e vestes… Sua figura bondosa,Junto co’a Virgem Maria ─ Almenara Dadivosa!… ─,É Luz de Fé e Alegria! Bom Despacho-MG, 3 de fevereiro de 2022.

SESSÃO ESPECIAL DA ACADEMIA EPISTÊMICA MESAMARIANO!

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LANÇAMENTO DO LIVRO INIMÁ QUERINO — UM PRODUTOR RURAL BEM-SUCEDIDO, DO ACADÊMICO-HONORÁRIO ISAAC DE OLIVEIRA E SOUZA. João Bosco de Castro*. 1. NÚCLEO ACADEMIAL DA SESSÃO ESPECIAL MESA-MARIANIANA. Após um ano e dez meses de seu obrigatório e penoso afastamento de reuniões e fainas literocientíficas, nossa profícua e respeitável Academia Epistêmica de Mesa Capitão-Professor João Batista Mariano — MesaMariano rompeu o lamentoso e desagradável silêncio anticovídico — sem abandonar as precauções indispensáveis à respectiva proteção antiviral —, para falar alto e bonito, às 20h de 17 de dezembro de 2021, no Salão Diamante do Clube dos Oficiais Mineiros. Exatamente isto! Às 20h de 17 de dezembro de 2021, no citado Salão Diamante (Rua Diábase, nº 200, Prado, em Belo Horizonte), realizamos a Sessão Especial Mesa-Marianiana, sob específica pauta acadêmica dirigida pela Confreira Epistêmica Beatriz Campos de Paulo e Castro — titular de nossa Cadeira nº 2 —, para lançamento oficial e cerimonioso do Livro INIMÁ QUERINO — um PRODUTOR RURAL BEM-SUCEDIDO, de nosso Confrade MesaMarianiano Isaac de Oliveira e Souza, Professor e Coronel Veterano da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG). Trata-se de Obra Biográfica importante: bem-fundada em pesquisas e bem-redigida, sob os mais rigorosos parâmetros da Metodologia Científica, além de tutelada por sábias e convincentes falas do Biografado, severo Oralizador da própria História de Vida. Em tal Publicação, atuei como Revisor, Prefaciador e Editor — mediante auspiciosos ofícios de meu Espaço Camões: Oficina de Saberes, Letras e Artes — ECOSLA (Bom Despacho — MG). O Produtor Rural Bem-Sucedido adubou e fez viçar o melhor sucesso de nossa Reunião Epistêmica, apoiada pelo Clube dos Oficiais e prestigiada por um Quarteto de Cordas da inigualável Orquestra Sinfônica da PMMG, pelo próprio Biografado — com seus Familiares e Amigos, inclusive da Cidade de Jequitibá —, Esposa, Filha e Namorado, Filho, Irmãs, Irmãos, e muitos outros Parentes e Amigos do Biógrafo Isaac de Oliveira e Souza, Acadêmicos Cláudio Cassimiro Dias e Ana Maria Matos Nascimento — da Academia de Letras João Guimarães Rosa, da PMMG —, nossos Confrades e Confreiras Álvaro Antônio Nicolau, Pedro Seixas da Silva (Presidente de nosso Conselho-Diretor, envolvido também nas festividades de seus cinquenta anos de formatura no Curso de Formação de Oficiais — Turma de Aspirantes de 1971: Recipiendária, naquela mesma noite da sumosa e expressiva Medalha Coronel José Vargas da Silva), Gleisa Calixto Antunes, Antônio Carlos Cabral Aguiar e Beatriz Campos de Paulo e Castro — desta Academia Epistêmica de Mesa Capitão-Professor João Batista Mariano (MesaMariano) —, de meu Neto Arthur Azevedo Castro Mota, Major Carlos Alberto da Silva Braga (Articulista do PontoPM/GrupoMindBR, residente em Braga-Portugal), pelo Fotógrafo Silas Calebe e Colaboradores do Bufê do Nem (de cuja atenciosa presteza matamos a sede com providenciais refrigerantes e saboreamos quitutes e salgadinhos). Nossa aprazível Sessão Especial Mesa-Marianiana foi honrada pelo épico Hino Nacional Brasileiro, cantado por Todos, aos acordes do maravilhoso e já mencionado Quarteto de Cordas da Orquestra Sinfônica da PMMG, antes da ritualística Invocação Acadêmica do Areópago Epistêmico, proferida pelo Biógrafo Isaac de Oliveira e Souza. Como Presidente da Casa Academial, cuidei do Expediente com boas-vindas a Convidados, Acadêmicos, Músicos, Biógrafo e Biografado, cumpri a Ordem do Dia — como apresentador-prefaciador do Livro aqui lançado — e entreguei ao Coronel Isaac de Souza o Certificado por méritos a ele conferido, em 12 de dezembro de 2021, pela Diretoria da Rádio FM10 de Bom Despacho-MG. O Quarteto de Cordas da Orquestra SInfônica da PMMG, como homenagem ao Biografado Inimá Querino, executou “O Menino da Porteira”, clássico memorável de nosso Cancioneiro Sertanejo. O Biógrafo Isaac de Oliveira e Souza, após breve interrupção dos autógrafos, usou a palavra em agradecimento a Pessoas e Entidades envolvidas no processo de publicação e burilamento de seu precioso Livro, oferecido, gratuitamente, a todos os prestigiadores desta Sessão Especial Mesa-Marianiana de Lançamento da Biografia de Inimá Querino – um Produtor Rural Bem-Sucedido. Retornei ao atril, para falar das Efemérides Socioliterárias de Dezembro, das quais escolhi os dias 16 e 28 — dedicados ao Príncipe de nossa Poesia Parnasiana, o magistral Olavo Brás Martins dos Gumarães Bilac, de cuja agrégia autoria declamei o Soneto LÍNGUA PORTUGUESA. Encerrei a Sessão Especial Mesa-Marianiana de Lançamento de Livro, na forma regimental, com felicitações e agradecimentos ao Biógrafo, Biografado, Músicos, Representantes de Sodalícios, Convidados e Amigos da MesaMariano, e Familiares de Isaac de Souza e Inimá Querino. 2. SOBRE A BIOGRAFIA, O BIÓGRAFO E O BIOGRAFADO. Do Livro ora festivamente lançado, de indiscutível utilidade sociocultural e função historiográfica elevada, transcrevo de meu Prefácio dois núcleos analíticos, aliás os escolhidos por Isaac de Oliveira e Souza, com propriedade e sabedoria, para a composição da contracapa e das duas orelhas da mesma obra. Ei-los! 2.1 BIOGRAFIA AUTÊNTICA E LEGÍTIMA. João Bosco de Castro. Este Livro historia o Senhor Inimá Querino da Costa, desde antes de seu nascimento, na Primavera de 1935, em Venda Nova, Distrito de Santa Luzia-MG, com assentamentos de andanças de nossos antepas­sados, prioritariamente dos ancestrais dele, “os aborígines livres e legí­timos senhores da Terra do Pau-Brasil”, ao longo da bela, dificultosa e hostil América Portuguesa, dos Puris de Muriaé aos Cataguás e Kaxixós de Bom Despacho, Martinho Campos e cercanias, em Minas Gerais, na união dos Costas e Querinos, para a saga da primeira infância e primeira escola do Oralizador da Própria História de Vida, e sua adolescência, vida adulta e muito trabalho, por aqui e alhures, e suas peregrina­ções aventureiro-empresariais, particularmente em busca da Produção Rural, mais concentrada na Pecuária de Corte de Bovinos e Suínos, Açougues, Frigoríficos e muitas outras incursões laborais de Homem Ativo, Trabalhador e Ambicioso, de olho na posse de bons milhares de cabeças de gado bovino, pelas Bandas dos Crucifixos Dourados, Região da Tríplice Fronteira, e de Divinópolis, Belo Horizonte até Jequitibá, neste Estado das Alterosas, afora suas heroicas e amalucadas ações de Desbravador do Estado do Pará, como dono e gestor das Fazendas Ma­ravilha, Santo Antônio e São José, na imensidão de Paragominas, pelas abençoadas aguadas de ribeiras das Bacias do Rio Capim e Rio Gurupi. A Vida de Inimá

SILÊNCIO CONSTRUTIVO

                                                                       Marcílio Fernandes Catarino (*) Vivemos tempos estranhos, desafiadores e, para muitos, sombrios. De repente, começamos a perceber que os ensinamentos que nos foram transmitidos como verdades, passaram a ser considerados errados e as palavras começaram a perder a força e o seu significado real. Há algum tempo, infeliz daquele que carregasse a pecha de vagabundo, de maconheiro ou de ladrão, por exemplo. Além do isolamento social a que era naturalmente submetido, via sua vida e seu futuro profissional inteiramente comprometidos. Mas, isso são coisas de um passado que, na verdade, já vai distante. Nos dias atuais presenciamos, constrangidos e perplexos, pessoas que carregam sobre os ombros acusações muito mais graves, que vão desde corrupção a pedofilia, de vultosos desvios de recursos públicos a assassinato, ocupando altos postos no primeiro escalão de governos, ou como ministros de Cortes Judiciais. O apodrecimento ético e moral desse modelo de sociedade que construímos, em que impera a maldade e a mentira, a manipulação e a ânsia de poder e dominação, nos cai sobre os ombros como um fardo extremamente pesado, que já não é mais possível e justo carregar. Silenciado e oprimido por uma Corte Suprema despótica, em que impera o ativismo político-ideológico, a corrupção e a afronta total às liberdades e garantias constitucionais, o cidadão de bem se vê oprimido, violentado e completamente desamparado, enquanto se blinda e protege os chefões do crime organizado, numa dolorosa e incompreensível inversão de valores. Em meio a esse ambiente adoecido e tóxico, a democracia -se é que se pode chamar assim esse regime em que vivemos- se esvai e a Justiça claudica desacreditada e desmoralizada. A ninguém é permitido o direito inalienável de criticar ou manifestar suas opiniões, consolidado, em cláusula pétrea, na Carta Magna da Nação. Como disse grande jornalista brasileiro, anos atrás, “no faroeste brasileiro, falar a verdade tornou-se perigoso.” E as prisões vão se aumentando de “criminosos de opinião”, de “suspeitos de divulgarem fakes News”, ou de cometerem “atos antidemocráticos”, delitos não tipificados em qualquer lei do país e que ninguém sabe definir ou  conceituar exatamente o que tais “crimes” significam. E o autor dos mandados de prisão é exatamente um ministro do STF, atropelando as prerrogativas do Ministério Público Federal e que, em junho de 2018, deixou  registrado em parecer de sua autoria:  “Quem não quer ser criticado, quem não quer ser satirizado, fique em casa. Não seja candidato, não se ofereça para exercer cargos políticos. Essa é uma regra que existe desde que o mundo é mundo. Querer evitar isso por meio de uma ilegítima intervenção estatal na liberdade de expressão é absolutamente inconstitucional.” Em decisões teratológicas, inteira e claramente inconstitucionais, o supremo ministro vem se revelando, a um só  tempo, como vítima, presidente do inquérito, investigador e julgador, diante do “ensurdecedor” silêncio de grande parte dos órgãos da imprensa brasileira e da postura omissa do Senado Federal, a quem cabe, privativamente, processar e julgar os Ministros da Suprema Corte, nos crimes de responsabilidade, nos termos do Artigo 52 – Inciso II, da Constituição Federal. Ao longo do tempo, tenho me aventurado (para não dizer ousado) a compartilhar minhas reflexões, através de modestas crônicas sobre esses temas e outros do cotidiano, que nos incomodam ou, de alguma forma, nos afetam. E, à medida em que correm os dias, vamos percebendo entristecidos que os ingentes esforços para se consolidar uma verdadeira democracia no Brasil, estão escorrendo ralo abaixo. Tomada de indignação, a sociedade vem se mobilizando em manifestações públicas cada vez mais intensas, que se eclodem por todo o país, clamando por justiça e liberdade. Fenômeno, aliás, que se verifica e se repete em vários países, diante dos ímpetos tirânicos de governantes que insistem em submeter toda a população à tutela absoluta do Estado. Uma espécie de “elite secreta”, com uma agenda globalista voltada para o domínio do mundo, através de um governo hegemônico (NOM), visando, dentre outros aspectos, manter a humanidade como uma manada dócil e obediente. Em paralelo, assistimos a intensificação das manifestações e fenômenos climáticos e geofísicos, cada vez mais poderosas e incontroláveis, como se o próprio planeta Terra estivesse, não apenas mostrando o seu protesto, mas alertando à humanidade para os enormes riscos a que está exposta, diante dos abusos e excessos de toda a ordem que, a centenas de anos, vem cometendo. Certamente, todos os que já se libertaram dos sistemas de crenças limitantes e manipuladores, de modo particular os de cunho religioso, aos quais a humanidade vem sendo submetida ao longo do tempo, estão percebendo tais fenômenos. Percebemos, finalmente, que vivemos um tempo de Revelações, em que os “fantasmas” estão saindo das sombras para mostrar, surpreendentemente, suas horripilantes faces e revelando novos cenários que ainda se nos apresentam incertos e obscuros. O momento nos convida à uma profunda reflexão introspectiva, em busca de uma visão mais clara da nova realidade que nos cerca. Assim considerando, julgo prudente “silenciar minha pena”, por algum  tempo, me mergulhando no Silêncio Construtivo. Que eu possa retornar com mais experiência e sabedoria.                                                                                                           Set/2021.                                                (*) Coronel Veterano PMMG – Aspirante 1970.

BISTRÔ DO CÉU: Amor-Filia!

  João Bosco de Castro.   Eu e Beatriz, minha Esposa, estivemos fora de Bom Despacho, por nove dias. Ontem, pelas 11h, saímos de Belo Horizonte, de volta ao ninho e aos teares da vida. Viagem-família: passeio feliz! Chegamos à Cidade-Sorriso, em torno das 14h, famintos. Não era mais hora de marmita. Ainda na Estrada do Pica-pau, eu disse a Beatriz: ─ Algum arrozinho branco, bem-simples, com ovos fritos, em emergência… Hum!… ─ e lambi os beiços. Ela respondeu-me: ─ Não deixamos nada pronto nem temos ovos na geladeira!… Retruquei-lhe: ─ Tenho certeza de alguns ovos na geladeira!… ─ Então, cuidarei do arroz, caso não encontremos nada no Rua do Céu Bistrô ─ completou Beatriz. Entramos na Cidade pela Rua do Céu ─ nome lírico, abençoado, folclórico, melodioso, quase divino, preferível ao do Favuca, em minha modesta opinião. No ponto certo, Beatriz desceu do carro, à procura de marmitas. A Dona do Rua do Céu Bistrô ─ Esposa de conhecido Sargento Veterano do Machado de Prata ─ e seus dois Rapazes, educadíssimos, já se preparavam para fechar o emblemático Estabelecimento. Nossa fome tinia e retinia. ─ Oh! Perdoem-me o atraso! Não são horas de procurar almoço, mas, até agora na estrada, eu e João Bosco não conseguimos chegar aqui, antes. Estamos varados… Muito agradecida! Em casa, tentarei fazer algo rápido. Um arrozinho com ovos fritos!… Desculpem-me o incômodo! ─ disse Beatriz à Senhora. Muito cordial, a Dona do Bistrô acenou-lhe para esperar um pouco.  Reentrou na Loja. Em poucos minutos, saiu de lá com duas marmitas. ─ Sei como é estrada… Consegui, apenas, um pouco de arroz com carne-moída. Isso pode ajudá-la… ─ falou assim, e entregou a Beatriz as duas marmitas. Satisfeita e acalentada pela gentil Senhora, Beatriz, com as marmitas às mãos, quis pagar-lhe a refeição… E a Dona do Bistrô, com largo sorriso de felicidade nos lábios: ─ Não vou cobrar-lhe nada. Arranjei só o possível. O fundinho de panela… Isso não é nada! ─ Posso pagar-lhe ─ ajuizou Beatriz. ─ Não! Pode levar… Quero dar esta comida a Você! ─ categorizou a prestimosa e amável Senhora. Em casa, com o estômago na goela a varar a nuca, após subir com a bagagem, saciamo-nos, maravilhosamente, com o mais providencial e substancioso banquete: aquele arrozinho com carne-moída, mais quatro ovos de galinha fritos por Beatriz!!! Comemos o mais saboroso e apreciável almoço!… Quanto regalo! Verdadeira ágapa! O melhor almoço: almoço-amor, almoço-doação, almoço-irmão, almoço-amigo, almoço-bênção, almoço-desapego, almoço-desinteresse ─ banquete-fraternidade!… Almoço-Filia: Bondade de Deus, pela sorridente autodoação imensurável e sincera da Dona do Rua do Céu Bistrô!!! Sua Copa-Cozinha não somente alimenta o corpo, mas nutre e renutre, acima de tudo, a alma. Copa-Cozinha da mais saborosa Gentileza-Transformação!… Tomara me permitissem mudar os nomes das coisas! Eu transformaria o do Rua do Céu Bistrô em Bistrô do Céu. Assim, a lendária Rua e o adorável Bistrô até se irmanariam nas Delícias da Morada de Deus, dentre as quais o Almoço-Fraterno! Bom Despacho-MG, 8 de junho de 2021.   João Bosco de Castro ( 1947 ─ ) é Oficial Superior Veterano da PMMG, Professor de Línguas e Literaturas Românicas. Poeta, contista, romancista, policiólogo, camonólogo e ensaísta. Publicou doze Livros. Mora em Bom Despacho-MG.

INTERNET, REDES SOCIAIS E OS LIVRES PENSADORES

Marcílio Fernandes Catarino (*) Nunca, como nos tempos hodiernos, tem sido importante a efetiva participação, em todos os setores da vida social, de pessoas dotadas de senso crítico (que não se confunde com criticismo mórbido), capazes de pensar com a própria cabeça. Sobretudo, a partir do advento do que hoje vem sendo denominado como Sociedade da Informação, integrada pela Internet e as poderosas redes sociais que, simplesmente, pulverizaram o monopólio da informação, há décadas controlado e manipulado pela grande mídia. O papel preponderante das citadas redes na eleição do presidente norte-americano, Donald Trump, foi superado pela emblemática eleição do presidente brasileiro, Jair Messias Bolsonaro, nas eleições majoritárias de outubro de 2018. Mesmo dispondo de ínfimos oito segundos de tempo na televisão e limitados recursos financeiros, o candidato Bolsonaro superou seu adversário, que dispunha do apoio maciço da grande mídia brasileira e expressivo suporte financeiro, divulgando suas propostas e programas de governo com o uso inteligente das redes sociais. Foi eleito com quase 70% dos votos válidos, na mais barata campanha presidencial do Brasil. Todos os esforços desenvolvidos pela grande mídia nacional, inclusive com a disseminação inescrupulosa de Fake News (notícias falsas), no intuito de desmoralizar e desacreditar o candidato vencedor, não foram capazes de neutralizar a eficácia do trabalho desenvolvido nas redes sociais. Com a Internet e as mencionadas redes estabeleceram-se novos padrões culturais e de sociabilidade, de produção e divulgação de informações, em que as notícias circulam entre os usuários, em tempo real e sem intermediários, onde quer que cada um esteja. Podemos destacar, nesse alvissareiro episódio, quatro aspectos fundamentais que, na nossa ótica, sinalizam o início de um novo tempo na divulgação das informações em particular, e nas campanhas políticas em geral, no território brasileiro: Inquestionável enfraquecimento das grandes mídias e do seu poder de manipulação das informações e da “opinião pública”. A situação falimentar do jornalismo autêntico, comprometido e deturpado, tendenciosamente, pelos órgãos da grande imprensa, a troco de benesses de grupos políticos que detêm o domínio do poder temporal. Sensível redução dos custos financeiros das campanhas políticas, sempre bancados pelo erário. Aumento do despertar dos “livres pensadores”. Inquestionavelmente, este último se destaca, segundo a nossa modesta compreensão, como o principal fator a indicar uma profunda transformação da sociedade brasileira que, no exercício e manifestação do pensamento independente deixa, cada vez mais, de ser simplesmente “massa de manobra”. Imperativo alertar, no entanto, que a liberdade criada pela Internet e as redes sociais abriu espaço enorme a um novo tipo de manipulação, muitas vezes sutil e de difícil identificação: a sofisticada elaboração e disseminação das tão alardeadas Fake News, capazes de construir, modificar ou destruir; de confundir, desorientar ou induzir os mais incautos. De qualquer forma, o livre pensar é libertador, conforme nos asseverou, há mais de dois milênios, o inolvidável Rabi Galileu: “e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8:32), o que revelou a sua preocupação em lutar, na sua jornada messiânica, contra esse grande mal que ainda assola a nossa sociedade: a ignorância. Avante Brasil!                                                            (*) Coronel Reformado PMMG/Asp1970

A validação histórica como motivação ao Conhecimento.

A História é como um muro intransponível e mesmo com todas os recursos disponíveis, que se possam conjugar na busca de uma verdade definitiva, o tempo longe de apagar as dúvidas estruturadas, sobre determinado fato ou evento, só as fazem aumentar.  Para dar sentido e significado, ao que historicamente se propõe interpretar, faz-se necessário aliar o objeto aos seus objetivos, as informações visuais e o momento vívido, a realidade  de quem produz as informações e o ânimo daquele que procura alcançar uma interpretação insofismável. A capacidade de ler e interpretar objetivamente cada um desses fatos ou eventos, reside no acúmulo dos elementos de validação que se estruturam com o correto confrontamento das informações disponíveis, sua corroboração contemporânea e o seu significado no contexto das demais realidades adjacentes, seja do ponto de vista material – as obras – e imaterial – as ideias. O muro pode ser galgado e por cada fresta que se possa descortinar uma faceta tênue, surge um turbilhão de informações que só terão significado e valor, para aquele que observa, na hipótese de ser ele dotado de conhecimentos passados compatíveis com o objeto de seu estudo. Galgar o muro é uma prospecção que exige comprometimento do objeto e do autor, daquele que motiva e do que é motivado, daquele que é a essência e daquele que é transformação em palavras, com a máxima de que não é retórica porque exige o respeito ao conhecimento, apesar de ser ideias, palavras e emoções.  Galgar o muro é emoção por se sentir motivado a buscar o conhecimento e a verdade mais próxima que se possa construir sobre o objeto de uma análise histórica, um corpo, uma ideia, um sentido, uma imagem, um significado expresso num código e que por fim demanda especulações. Galgar o muro, encontrar a fresta perfeita e poder chegar o mais próximo possível de uma verdade insofismável é o caminho que se busca e que não será o definitivo pois a interpretação é o somatório do conjunto das experiências que se acumulam e que só produzem efeito em resposta a uma provocação que varia em função do observador e das possibilidades  que  cada qual pode identificar como o caminho mais factível e ao mesmo tempo o mais credível. Não há erros falseados por hipóteses autoconfirmadoras, há construções inacabadas decorrentes de uma validação imprópria e que carecendo de um aprofundamento metológico, se consome por variáveis equivocadas levando o observador a descortinar parte do todo e que ao final revela-se apenas como mais uma informação, uma inferência curcunstancial que não se traduz em verdade acabada. Uma validação histórica é uma arte de aplicação do conhecimento que permite ao observador se reescrever na medida em que descobrindo novas frestas, se apropria de novas imagens e as decodificando as torna compatíveis com os relatos, fatos e eventos contemporâneos, mostrando ao próprio conhecimento detalhes antes despercebidos, quer seja pela infelicidade de classificá-los como óbvio ululante ou ainda pela experiência defensiva de nāo afrontar o novo. Avançar por uma validação histórica é uma motivação que não se encerra no seu objeto, ao contrário, apenas possibilita uma interpretação momentânea, algo que deve aquecer a mente de outros observadores e cada vez mais se aproximar da verdade insofismável. Nāo há descrédito, não há infortúnios e nem tampouco há falta de zelo quando outras informações transversais permitem observações mais acertadas sobre determinado fato ou evento. Uma validação histórica não é uma fórmula matemática é sim um exercício de prospecção e que admite novas visões, novas informações e novas hipóteses de descrição material e imaterial, cabe ao observador especular, sentir-se motivado e se comprometer com o novo conhecimento que se quer produzir.

SUPREMA TIRANIA

“A pior ditadura é a ditadura do Poder Judiciário. Contra ela, não há a quem recorrer”. (Rui Barbosa) Em data de 10 de junho de 2019, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, com o apoio da Fundação Alexandre Gusmão (FUNAG), promoveu a realização do Seminário denominado “Globalismo”, do qual participaram diversas autoridades dos mundos político e jurídico, além de escritores nacionais e estrangeiros, analistas políticos, entre outras personalidades. O evento registrou a brilhante participação da Juíza Ludimila Lins Grilo, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), ao discorrer sobre “O Ativismo Judicial a Serviço do Globalismo”, em que não poupou severas e fundamentadas críticas à atuação da Suprema Corte Brasileira (STF) por se afastar da sua missão constitucional, deliberando sobre matérias da competência dos demais poderes da República, o Legislativo e o Executivo. Hoje, mais do que nunca, os cidadãos brasileiros percebem com insofismável clareza uma absurda concentração de poder no STF, que o tem levado a imiscuir-se nos atos da exclusiva competência do Executivo e do Legislativo, assumindo, a um só tempo, a posição de legislador, administrador e julgador. Nenhum exemplo poderia ser mais eloquente e esclarecedor do que a recente e esdrúxula decisão do Supremo em determinar a abertura de inquérito – competência que não lhe cabe – para uma apuração genérica, sem um fato específico ou objeto definido (inquérito das fakes news). Uma aberração jurídica e uma afronta à liberdade de expressão impostas à Nação Brasileira, que se revelam como flagrante e inaceitável agressão ao regime democrático de direito, simplesmente por não ter a Corte Suprema concordado com as críticas negativas que vem recebendo, sobretudo através de mensagens que circulam nas redes sociais, pelos ministros consideradas “notícias falsas”. Esse verdadeiro ativismo judicial ideológico, abertamente exercitado pelo escalão maior do judiciário brasileiro, demonstra enfaticamente o seu afastamento do Constitucionalismo Positivista para navegar, de forma nebulosa, no que juristas da ala progressista denominam de Neoconstitucionalismo. No primeiro, defendido pelos juristas conservadores (juízes auto-restritivos), a atuação dos magistrados deve se limitar à análise dos casos dentro dos estritos limites das normas legais e constitucionais; no segundo defende-se que cada juiz tenha ampla liberdade para dar a sua interpretação pessoal sobre os ditames das leis e da constituição, extrapolando seus sentidos e conteúdos, muitas vezes com a inserção de conceitos abstratos, alterando a essência dos textos legais. O livro do constitucionalista alemão Peter Haberle, intitulado “Sociedade Aberta dos Intérpretes da Constituição” que, segundo consta, teve a sua tradução para o português feita pelo Ministro Gilmar Mendes, defende essa segunda linha de pensamento. Para o autor não só os juízes, mas todos os cidadãos deveriam ser intérpretes da Constituição, ou seja, cada um teria o direito de apresentar e ver respeitada a sua própria interpretação dos textos legais/constitucionais. Conclusão: tudo passa a ser assunto da competência da Suprema Corte. É nesse sentido que o STF vem atuando no Brasil nos últimos anos, promovendo uma verdadeira “mutação constitucional informal”. Indubitavelmente, essa concentração de poder no STF, através da qual vem impondo arbitrariamente suas decisões às instituições e ao povo brasileiro, é uma grave ameaça à harmonia e independência dos poderes, cláusula pétrea contida no artigo 2º da nossa Carta Magna, que poderá conduzir o País a um perturbador quadro de insegurança jurídica e uma crise institucional sem precedentes, com o consequente estremecimento da democracia e da liberdade que o Brasil ainda sonha em alcançar.   Crise que se tornou ainda mais iminente com a recente interferência da Egrégia Corte na autonomia do Poder Executivo, através de decisão monocrática de um ministro, anulando ato do Presidente da República que determinou a expulsão do Corpo Diplomático da Venezuela, cujo governo não é reconhecido pelo Brasil e que vem submetendo seu povo à cruel ditadura do “Presidente” Maduro. Este, ressalte-se, teve sua prisão requerida pelo governo norte-americano, por associação ao tráfico internacional de drogas, cuja cabeça vale um prêmio de $ 15.000,000,00. Uma breve análise das decisões mais recentes do STF não nos deixa dúvidas quanto ao seu ativismo ideológico, em que se busca a imposição da “agenda do Globalismo” que, na verdade, tem sido um sofisma usado pela esquerda internacional como uma cortina de fumaça para encobrir os ideais expansionistas do socialismo/comunismo e seus interesses de dominação mundial. Observe-se, por exemplo, a postura ideológica do Ministro Barroso expressa em seu voto pela descriminalização do aborto, até o terceiro mês de gravidez (ainda em julgamento); a inclusão da homofobia como crime hediondo (termo que não existe na lei e que somente poderia ser feito no legislativo); as facilidades estendidas aos transexuais para a mudança de nome, que não é dada às demais pessoas; e pasmem: em decisão monocrática outro membro da Corte, atendendo requerimento de adversário político, impede o Presidente da República de, no exercício de suas prerrogativas constitucionais, nomear um funcionário para órgão da Administração Pública. No recurso impetrado foi alegado ter o Chefe do Executivo contrariado o princípio da impessoalidade, por ser o indicado seu “amigo” (ao que parece, o requerente considera a amizade um crime, ou uma coisa ilegal). Ao dar provimento ao recurso, esqueceu-se Sua Excelência que ele próprio foi nomeado para a Alta Corte, mesmo sem ter exercido o cargo de juiz, exatamente por ser amigo do Presidente da República anterior, assim como o foram os demais ministros que integram o colegiado, cada qual por seu “presidente padrinho”. Acrescente-se, por oportuno, que apenas dois dos onze ministros do STF foram juízes no passado e que, segundo entendem alguns juristas de renome nacional, na maioria deles não se reconhece o “notório saber jurídico”, exigência que a norma legal impõe aos candidatos a ocupar tão nobilitante cargo. A insatisfação popular diante a atuação do STF é clara e se intensifica a cada dia, numa pujante demonstração de que ele não está correspondendo aos elevados e sagrados propósitos para o qual foi criado. Resta saber se os Ministros da Suprema Corte, no exercício do ativismo ideológico, não estão cometendo crimes de responsabilidade. Caso contrário, esperamos ardentemente que o Senado Federal cumpra

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