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SILÊNCIO CONSTRUTIVO

                                                                       Marcílio Fernandes Catarino (*)

Vivemos tempos estranhos, desafiadores e, para muitos, sombrios. De repente, começamos a perceber que os ensinamentos que nos foram transmitidos como verdades, passaram a ser considerados errados e as palavras começaram a perder a força e o seu significado real.

Há algum tempo, infeliz daquele que carregasse a pecha de vagabundo, de maconheiro ou de ladrão, por exemplo. Além do isolamento social a que era naturalmente submetido, via sua vida e seu futuro profissional inteiramente comprometidos. Mas, isso são coisas de um passado que, na verdade, já vai distante.

Nos dias atuais presenciamos, constrangidos e perplexos, pessoas que carregam sobre os ombros acusações muito mais graves, que vão desde corrupção a pedofilia, de vultosos desvios de recursos públicos a assassinato, ocupando altos postos no primeiro escalão de governos, ou como ministros de Cortes Judiciais.

O apodrecimento ético e moral desse modelo de sociedade que construímos, em que impera a maldade e a mentira, a manipulação e a ânsia de poder e dominação, nos cai sobre os ombros como um fardo extremamente pesado, que já não é mais possível e justo carregar.

Silenciado e oprimido por uma Corte Suprema despótica, em que impera o ativismo político-ideológico, a corrupção e a afronta total às liberdades e garantias constitucionais, o cidadão de bem se vê oprimido, violentado e completamente desamparado, enquanto se blinda e protege os chefões do crime organizado, numa dolorosa e incompreensível inversão de valores. Em meio a esse ambiente adoecido e tóxico, a democracia -se é que se pode chamar assim esse regime em que vivemos- se esvai e a Justiça claudica desacreditada e desmoralizada.

A ninguém é permitido o direito inalienável de criticar ou manifestar suas opiniões, consolidado, em cláusula pétrea, na Carta Magna da Nação. Como disse grande jornalista brasileiro, anos atrás, “no faroeste brasileiro, falar a verdade tornou-se perigoso.” E as prisões vão se aumentando de “criminosos de opinião”, de “suspeitos de divulgarem fakes News”, ou de cometerem “atos antidemocráticos”, delitos não tipificados em qualquer lei do país e que ninguém sabe definir ou  conceituar exatamente o que tais “crimes” significam.

E o autor dos mandados de prisão é exatamente um ministro do STF, atropelando as prerrogativas do Ministério Público Federal e que, em junho de 2018, deixou  registrado em parecer de sua autoria:

 “Quem não quer ser criticado, quem não quer ser satirizado, fique em casa. Não seja candidato, não se ofereça para exercer cargos políticos. Essa é uma regra que existe desde que o mundo é mundo. Querer evitar isso por meio de uma ilegítima intervenção estatal na liberdade de expressão é absolutamente inconstitucional.”

Em decisões teratológicas, inteira e claramente inconstitucionais, o supremo ministro vem se revelando, a um só  tempo, como vítima, presidente do inquérito, investigador e julgador, diante do “ensurdecedor” silêncio de grande parte dos órgãos da imprensa brasileira e da postura omissa do Senado Federal, a quem cabe, privativamente, processar e julgar os Ministros da Suprema Corte, nos crimes de responsabilidade, nos termos do Artigo 52 – Inciso II, da Constituição Federal.

Ao longo do tempo, tenho me aventurado (para não dizer ousado) a compartilhar minhas reflexões, através de modestas crônicas sobre esses temas e outros do cotidiano, que nos incomodam ou, de alguma forma, nos afetam. E, à medida em que correm os dias, vamos percebendo entristecidos que os ingentes esforços para se consolidar uma verdadeira democracia no Brasil, estão escorrendo ralo abaixo.

Tomada de indignação, a sociedade vem se mobilizando em manifestações públicas cada vez mais intensas, que se eclodem por todo o país, clamando por justiça e liberdade. Fenômeno, aliás, que se verifica e se repete em vários países, diante dos ímpetos tirânicos de governantes que insistem em submeter toda a população à tutela absoluta do Estado. Uma espécie de “elite secreta”, com uma agenda globalista voltada para o domínio do mundo, através de um governo hegemônico (NOM), visando, dentre outros aspectos, manter a humanidade como uma manada dócil e obediente.

Em paralelo, assistimos a intensificação das manifestações e fenômenos climáticos e geofísicos, cada vez mais poderosas e incontroláveis, como se o próprio planeta Terra estivesse, não apenas mostrando o seu protesto, mas alertando à humanidade para os enormes riscos a que está exposta, diante dos abusos e excessos de toda a ordem que, a centenas de anos, vem cometendo.

Certamente, todos os que já se libertaram dos sistemas de crenças limitantes e manipuladores, de modo particular os de cunho religioso, aos quais a humanidade vem sendo submetida ao longo do tempo, estão percebendo tais fenômenos.

Percebemos, finalmente, que vivemos um tempo de Revelações, em que os “fantasmas” estão saindo das sombras para mostrar, surpreendentemente, suas horripilantes faces e revelando novos cenários que ainda se nos apresentam incertos e obscuros.

O momento nos convida à uma profunda reflexão introspectiva, em busca de uma visão mais clara da nova realidade que nos cerca. Assim considerando, julgo prudente “silenciar minha pena”, por algum  tempo, me mergulhando no Silêncio Construtivo.

Que eu possa retornar com mais experiência e sabedoria.

                                                                                                          Set/2021.

                                               (*) Coronel Veterano PMMG – Aspirante 1970.

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Marcílio Fernandes Catarino, Coronel Veterano