Incêndio em Portugal: encontrar culpados, fazer acusações lançadas ao vento ou preparar-se para evitar outra tragédia?

Não foi a primeira vez que ocorreu um incêndio ameaçador às pessoas, propriedades e comunidades portuguesas, à época do nefasto acontecimento.

Esquecê-lo, talvez, poderia ser uma solução. Mas, e as perdas? Perdas patrimoniais podem ser esquecidas, com o tempo. Entretanto, vidas humanas que se perderam, vitimizadas pelo incêndio, jamais, serão esquecidas. Pelo menos, mais quatro gerações de portugueses lembrarão de parentes mortos, ou marcados pela fúria incontrolável do incêndio.

Quando acontecerá o próximo? Primeiro, foi em Londres. Depois Portugal. E agora! Na Austrália? Brasil? Oceania?

A Rádio França Internacional (RFI) publicou, uma reportagem com o título: “Incêndio em Portugal: bombeiros denunciam falhas no sistema de alerta”. Há, igualmente, explicações de que o “incêndio florestal que atinge o centro de Portugal não dá trégua”; que “as autoridades acreditam que os focos estão diminuindo” e “mais de mil bombeiros prosseguiam nesta quarta-feira (21) a combater as chamas”.

Outros destaques da RFI indicam que “O primeiro-ministro português, Antonio Costa, continua sob pressão” e que, segundo a “Associação de Bombeiros Profissionais […] só uma falha no sistema de alerta pode justificar que uma estrada da região, onde a maioria das vítimas morreu, não tenha sido fechada.”

Há, também, questionamentos sobre a razão de não ter sido interditada a “estrada da morte, como está sendo chamada a nacional 236, […] depois que o fogo começou em Pedrógão Grande, na região de Leiria, no último sábado (17)” e que naquele “local, 47 pessoas morreram, bloqueadas pelas chamas.”

Mais duas especulações foram assim destacadas pela RFI:

O primeiro-ministro português Antonio Costa exigiu “explicações rápidas” à polícia, acusada por alguns sobreviventes de ter direcionado para esta estrada um grupo de pessoas que tentava fugir das chamas. Costa afirmou, no entanto, que no momento “não há provas de um erro dos agentes”.

O tempo de reação dos serviços de emergência a partir da informação do incêndio no sábado ainda provoca debate. De acordo com o jornal português Público, as unidades da Proteção Civil demoraram quase duas horas para ajudar os bombeiros locais a partir do momento do alerta.

Sobre as últimas atualizações, a RFI destacou, que o “incêndio permanece ativo em algumas localidades” e sobre o sepultamento das “primeiras vítimas”, nas seguintes informações:


Incêndio permanece ativo em algumas localidades

No início da manhã desta quarta-feira, aviões sobrevoavam Pedrógão Grande e liberavam água sobre as chamas que devastam as colinas de pinheiros e eucaliptos, perto da pequena localidade de Pincha, onde o fogo permanece ativo. “Quase 95% do incêndio está sob controle”, ou seja, contido mas não apagado, explicou à imprensa o comandante regional da Proteção Civil, Vitor Vaz Pinto, que está otimista.

A agência meteorológica portuguesa anunciou condições mais favoráveis, com temperaturas que não devem superar 35°C, oito a menos que na terça-feira (20), e uma umidade relativa do ar maior que nos dias anteriores. O clima mais ameno deve facilitar o combate as chamas. Quase 1.200 bombeiros, 400 veículos e 13 aviões estão mobilizados na região de Pedrógão Grande para apagar o fogo.

Primeiras vítimas enterradas

Na terça-feira, o incêndio parecia estar sob controle quando ganhou força de repente, o que obrigou as autoridades a esvaziar quase 40 aldeias ameaçadas pelas chamas. As autoridades locais estão preocupadas com a recusa de alguns habitantes de abandonar suas residências. Moradores entrevistados pela AFP justificam que têm que ficar para proteger suas casas.

Segundo último balanço, 64 pessoas morreram desde sábado e mais de 200 ficaram feridas. O país decretou três dias de luto. As primeiras vítimas começaram a ser enterradas na terça-feira, perto de áreas onde as chamas ainda provocam estragos. Uma multidão comovida se reuniu na aldeia de Sarzedas de São Pedro para a despedida de seis moradores.

As cerimônias prosseguem nesta quarta-feira e o país respeitou um minuto de silêncio às 13H00 local (9H00 de Brasília), a pedido do presidente da Assembleia Nacional, Eduardo Ferro Rodrigues, que pediu aos portugueses “coesão no momento de grande dor”.

Apenas metade das vítimas foi identificada até o momento. O processo de identificação é muito difícil em consequência do alto estado de carbonização dos corpos.

Fonte: RFI.

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