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Um olhar menos míope… e que vale a pena!

Um olhar menos míope… e que vale a pena!

Olhar para o Ano de 1964 e focar o Dia 31 de Março, arvorando-se conhecedor é muito arriscado. É preciso fazê-lo com um olhar menos míope… e que vale a pena!

Não se pode valer apenas da ciência segmentada, apesar da validade parcial — quando praticada sem viés —. Só, a ciência segmentada, é frágil. E, mesmo completa, a Ciência pode não consolidar Conhecimento. Este, está alhures, na maioria das vezes, do limitado espaço, ou do fenômeno que se não considerou, na produção científica.

Ciência mais Conhecimento é igual Sabedoria. A equação é simples assim.

Hoje é 31 de março de 2018, sábado. É o “sábado de aleluia”, quando a maioria dos brasileiros se calam. Alguns, corajosos, decidem falar e expor um olhar menos míope… e que vale a pena! Nesse caso, destacamos os olhares percebidos em duas postagens:

Primeira postagem sobre um olhar menos míope… e que vale a pena!

No texto “A mídia e o golpe de 1964: revista O Cruzeiro como aliada do discurso das forças militares”, os autores destacaram, no resumo:

Ao completar 50 anos do golpe de Estado que instaurou a ditadura militar no Brasil, evidenciamos a importância de revisitar o arquivo documental de matérias que foram veiculadas pela grande mídia durante aquele período. A instauração da Comissão Nacional da Verdade – Lei n.º 12.528 de junho de 2012 – e as recentes manifestações de movimentos sociais em defesa do direito à verdade e justiça têm movimentado o cenário político nacional e encontram lugar na análise proposta por este estudo. O discurso que desperta o nosso interesse é o político, concebido como embate, relação de forças que se materializam pelo próprio discurso. E, arquivo é entendido aqui, a partir de Horta Nunes, “não como um conjunto de ‘dados’ objetivos dos quais estaria excluída a espessura histórica, mas como uma materialidade discursiva que traz as marcas da constituição dos sentidos” (2005, p.2).

Na Parte conclusiva, onde se encontram os “Apontamentos finais”, os autores afirmaram:

Durante a análise do discurso da revista O Cruzeiro, foi possível identificar sentidos que se reproduzem, se repetem, se (re)significam ainda hoje, através dos grandes meios de comunicação. As forças políticas que agiram ativamente na deposição do presidente João Goulart atuavam em benefício do capital estrangeiro, criando um distanciamento moral com aqueles que se atreviam a questionar esse modelo de sociedade. O discurso de O Cruzeiro que, além de conservador, na maior parte dos casos, se mostrou preconceituoso e agressivo, resulta de uma memória discursiva na qual o mundo estaria dividido em dois extremos – de um lado o capitalismo (sistema político considerado ideal) e, de outro, o comunismo (considerado antidemocrático e, portanto, prejudicial). É o que a doutrina persa chama de maniqueísmo, ou seja, de um lado estaria todo o bem e, de outro, todo o mal. Assim, O Cruzeiro, símbolo da constelação celestial, a qual está estampada na bandeira do Brasil, entendia equivocadamente que estava alinhado com as “forças do bem” e combatia as “forças do mal”. Em fevereiro de 2009, ao empregar o termo “ditabranda”, em editorial, o jornal Folha de São Paulo recorreu à memória discursiva de O Cruzeiro. A intenção era combater um discurso que estava sendo retomado no processo histórico da luta socialista travada na Venezuela. O caráter eufêmico do discurso de um dos principais jornais do Brasil, ao tratar da formação ideológica responsável pelo golpe militar no Brasil, procurava estabelecer uma relação de confrontação à vitória de Chávez nas eleições daquele ano; diga-se de passagem, uma escolha referendada nas urnas – pela via democrática. Sob determinadas condições de produção e recorrendo ao esquecimento ideológico, o mesmo discurso utilizado pela revista O Cruzeiro continua arregimentando adeptos, pois, ainda hoje, se faz presente no imaginário social. De nossa parte, consideramos importante ressaltar que nós, analistas, também não estamos fora da interpretação e, por conseguinte, da história. Importa, então, compreender que nossa interpretação se dá de acordo com os saberes próprios ao “lugar social” em que estamos inscritos – intervém aí a ideologia e o inconsciente como constitutivos do dizer, do interpretar. E, desse processo advém a possibilidade de outra(s) interpretação(ões).

Segunda postagem sobre um olhar menos míope… e que vale a pena!

Em outra postagem, de 1994, intitulada “Francis faz relato tranquilo de 1964; […]”, o autor escreveu:

Francis faz relato tranquilo de 1964
1964. 31 de março ou 1º de abril? Revolução ou golpe? Com essas perguntas, Paulo Francis abre seu novo livro, para fechá-lo confessando que se distanciou do tema prometido. Ele de fato faz uma crônica pessoal dos acontecimentos em questão, fala de suas personagens centrais, João Goulart e os militares, ministros, políticos, intelectuais e jornalistas. O banco de dados de que se vale são suas próprias reminiscências. Embora não fosse protagonista, estava suficientemente próximo do centro para poder amarrar algumas de suas pontas desconexas.
Como se trata, porém, de Paulo Francis, ninguém que lhe tenha acompanhado a carreira esperaria um relato frio, impessoal, impassivelmente analítico, nem ele mesmo se posiciona enquanto historiador –e reclama, aliás, da omissão dos profissionais, de quem cobra muito mais trabalho. As memórias do golpe/revolução, desde o começo, vão sendo entremeadas por suas considerações favoritas –sobre arte e literatura, religião e política, a mortalidade e a natureza humana.
Uma de suas características sempre foi, não se pretendendo filósofo ou coisa semelhante, a de discorrer sobre tópicos assim sem resvalar na normatividade, nem abrir demasiadamente sua intimidade ao leitor, que é sempre mantido a uma distância civilizada. A criação dessa distância, maior que a da amizade, menor que a da estranheza, talvez seja a chave de seu estilo e depende, seguramente, de seu modo de começar, conduzir e fechar uma frase ou período, do desenvolvimento da argumentação que, não raro, envolve o interlocutor numa digressão para interrompê-lo com uma síntese epigramática. Sua insistência em chamar as opiniões de opiniões permite que seja lido mesmo por quem –excluindo-se os dogmáticos– não as compartilha.
Mas não é tanto o prazer da digressão que norteia o livro. Aferrando-se na medida do possível a um tema que poderia ser antes definido como a questão brasileira do ponto de vista de uma geração que chegou à idade adulta entre a era Vargas e o ciclo militar, Francis parece ter começado a escrever seguro de que 1964 resumia em si os principais aspectos do problema, para ir descobrindo, à sua revelia, que o evento central se encontrava em outra data. Apesar do título e do subtítulo, “Trinta Anos Esta Noite – 1964 – O que vi e vivi” poderia perfeitamente se chamar “Quarenta Anos este Ano”, “1954” ou, parafraseando Rubem Fonseca, “Agosto”.
Muitos retratos são traçados nas suas páginas, mas as personagens que acabam se impondo são duas: Getúlio Vargas e Carlos Lacerda. Fica também a impressão forte de que as coisas teriam se decidido de verdade com o suicídio do primeiro. O que aconteceu dez anos depois não passaria de um “post scriptum”longamente adiado. Quem considera o autor um cosmopolita desenraizado ou algo assim (esquerda e direita possuem inúmeros sinônimos para essa expressão) pode eventualmente se admirar com o quanto ele se preocupa em tentar entender este país. Francis, no entanto, não apenas ambientou toda sua ficção no Brasil como nunca deixou de buscar compreendê-lo e explicá-lo. Entre os projetos de que já falou mas não trouxe ainda a público havia uma peça sobre a Guerra dos Farrapos, de cujas minúcias, em entrevista, ele se provou conhecedor.
Além de declarações bem claras, há detalhes no texto indicando que o público desejado é sobretudo o de pessoas que, ainda jovens, eram no máximo crianças em 1964. Dois exemplos: Francis esclarece que a Guanabara é o atual estado do Rio; e se vê obrigado a dizer quem era Tito. Isto torna “Trinta Anos” sua obra mais didática e menos polêmica. É claro que ele ainda denuncia a esquerda e suas mentiras, o conformismo subdesenvolvido e suas pretensões, as simplificações maniqueístas. Não o faz, porém, para irritar os pterodáctilos impenitentes. Confirmado pela história recente, ele se abstém de chutar cachorros mortos.
Há tranquilidade na sua exposição traçada nos pontos de encontro da memória com a análise. Ambas remetem a um país que, embora seja o Brasil, surge remoto, perdido num tempo diferente, quase incompreensível. Assim, o que mais faz falta no livro é uma quantidade ainda maior de digressões. Francis foi critíco de teatro, cinéfilo e participou do meio literário e jornalístico brasileiro. Ele se concentrou no tema escolhido às custas de outros tantos retratos pessoais, considerações críticas e episódios da “petite histoire” que, atualmente, não fazem menos falta que interpretações mais amplas, históricas ou políticas.

Concordo com a propositura dos dois textos. O primeiro sabia onde iria chegar, o segundo, sei não!

No primeiro, concordo com a última frase da citação. Mas, afirmativa de que “desse processo advém a possibilidade de outra(s) interpretação(ões)”, não é contraditória ao que foi descrito anteriormente? E quanto ao título do texto escolhido pelos autores?

O outro texto, o autor, discorre sobre o Livro “Trinta Anos Esta Noite – 1964 – O que vi e vivi, de Paulo Francis”, mantém um olhar menos míope… e que vale a pena!

Será que Paulo Francis, que não foi citado pelos autores do primeiro texto, concordaria com eles?

Com as informações das fontes destacadas acima e do Consciência.Blog

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Sobre o(a) Autor(a)

Isaac de Souza

Isaac de Souza

(1949 _ _ _ _) É Mineiro de Bom Despacho. Iniciou a carreira na PMMG, em 1968, após matricular-se, como recruta, no Curso de Formação de Policial, no Batalhão Escola. Serviu no Contingente do Quartel-General – CQG, antes de matricular-se, em 1970, e concluir o Curso de Formação de Oficiais – CFO, em 1973. Concluiu, também, na Academia Militar do Prado Mineiro – AMPM, os Cursos de Instrutor de Educação Física – CIEF, em 1975; Informática para Oficiais – CIO, em 1988; Aperfeiçoamento de Oficiais – CAO, em 1989, e Superior de Polícia – CSP, em 1992. Serviu no Batalhão de RadioPatrulha (atual 16º BPM), 1º Batalhão de Polícia Militar, Colégio Tiradentes, 14º Batalhão de Polícia Militar, Diretoria de Finanças e na Seção Estratégica de Planejamento do Ensino e Operações Policial-Militares – PM3. Como oficial superior da PMMG, integrou o Comando que reinstalou o Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Sargentos, onde foi o Chefe da Divisão de Ensino de 92 a 93. Posteriormente secretariou e chefiou o Gabinete do Comandante-Geral - GCG, de 1993 a 1995, e a PM3, até 1996. No posto de Coronel, foi Subchefe do Estado-Maior da PMMG e dirigiu, cumulativamente, a Diretoria de Meio Ambiente – DMA. No ano de 1998, após completar 30 anos de serviços na carreira policial-militar, tornou-se um Coronel Veterano. Realizou, em 2003-2004, o MBA de Gestão Estratégica e Marketing, e de 2009-2011, cursou o Mestrado em Administração, na Faculdade de Ciências Empresariais da Universidade FUMEC.