Introdução
A proteção da polícia, em Londres e em Belo horizonte, é executada pela Metropolitan Police de Londres e a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG). A comparação observada revela prioridades e experiências distintas, não uma disputa entre instituições equivalentes. Também é importante lembrar que os dados disponíveis não usam necessariamente os mesmos períodos ( 2016 a 2026) ou critérios.
Em suas respectivas responsabilidades, a Metropolitan Police atende a Grande Londres, enquanto a PMMG é uma força estadual que atua na capital mineira, e nos demais municípios e distritos do Estado de Minas Gerais. No Brasil, a Constituição atribui às polícias militares a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública. Em Londres, a Metropolitan Police sujeita-se à supervisão de órgãos próprios, entre eles o prefeito e o Escritório do Prefeito para Policiamento e Crime (governança da Met; Lei nº 14.751/2023).
Em Belo Horizonte, dados divulgados pela prefeitura apontaram, no primeiro quadrimestre de 2017 em comparação com o mesmo período de 2016, queda de 22,75% nos homicídios consumados, 24,75% nos tentados e 13,84% nos roubos. A publicação atribuiu o cenário a uma atuação conjunta da PMMG e da Guarda Municipal, mas esses números retratam apenas um recorte específico. Por isso, não devem ser interpretados como medida de toda a década (Prefeitura de Belo Horizonte).
Em Londres, a fase inicial do plano A New Met for London, lançada em 2023, priorizou o policiamento de bairro, a redução da violência e a recuperação da confiança pública. A própria Metropolitan Police divulgou, em 2025, reduções em crimes de bairro e homicídios, além de aumento na confiança declarada dos londrinos. Como se trata de balanço da própria instituição, esses indicadores devem ser lidos com atenção à fonte e ao método (plano da Met; balanço de 2025).
Desenvolvimento
Na capital britânica, a estratégia londrina buscou aproximar equipes policiais dos bairros e orientar ações por problemas apontados pelos moradores, como crimes de rua, comportamento antissocial e violência grave. O plano também previu maior uso de dados para direcionar recursos e reforço de equipes dedicadas a crimes como violência doméstica e delitos sexuais. A participação comunitária e o atendimento às vítimas aparecem, assim, ao lado da repressão criminal (plano da Met).
A agenda londrina incluiu ainda uma reforma interna após a revisão independente conduzida por Louise Casey, que criticou a cultura e os padrões da instituição. A Met declarou aceitar as recomendações e assumiu compromissos contra racismo, misoginia e homofobia, além de mudanças na supervisão do uso da força e da revista pessoal. Esse processo mostra que confiança pública e responsabilização também se tornaram desafios centrais da polícia (resposta da Met e plano de reforma).
Em Belo Horizonte, a PMMG executa a polícia ostensiva, mediante ações preventivas, aí incluídas as iniciativas escolares e comunitárias. O PROERD, por exemplo, articula policiais, escolas e famílias para a prevenção às drogas e à violência com estudantes. A corporação também descreve modalidades como patrulhamento escolar e policiamento comunitário (PROERD da PMMG; modalidades de policiamento).
A comparação também aparece em operações temporárias, como o Carnaval de 2025, quando Minas Gerais informou mobilização integrada das forças de segurança, com reforço de efetivo e uso de tecnologia. Em Belo Horizonte, os registros de roubo no período caíram de 107 para 90 e os de furto, de 2.015 para 1.550, ante o Carnaval de 2024. O balanço é estadual e interinstitucional, então não permite atribuir essas variações exclusivamente à PMMG (Agência Minas Gerais).
Conclusão
Ao longo da década, as duas instituições combinaram presença policial, prevenção e cooperação com outros atores, mas deram visibilidade a agendas diferentes. Em Londres, os planos recentes destacaram a presença da polícia nas localidades, a confiança pública e a reforma institucional, além do combate à violência e aos crimes de bairro. Em Belo Horizonte, os exemplos consultados mostram, além da presença da polícia ostensiva, as ações preventivas, com a participação das escolas e comunidades, e operações integradas.
Os resultados citados são promissores em recortes específicos, mas não demonstram, por si só, que determinada ação causou a redução dos crimes. Os períodos, as categorias criminais e as formas de contabilização variam entre as fontes. Uma avaliação rigorosa exigiria séries comparáveis e independentes para toda a década.
A experiência londrina enfatiza a participação dos moradores na definição de prioridades e a necessidade de responder a críticas sobre cultura e padrões policiais. A atuação da PMMG em Belo Horizonte destaca sua execução da polícia ostensiva em meio a iniciativas preventivas, além da articulação com outras instituições. Em ambos os casos, transparência, acompanhamento público e atenção às vítimas são essenciais para sustentar a confiança institucional.
Em síntese, comparar Londres e Belo Horizonte é útil para observar estratégias, mas não para presumir que uma fórmula se transfere automaticamente de uma cidade à outra. As diferenças legais, sociais e institucionais condicionam o que cada força pode fazer e como seus resultados devem ser interpretados. O desafio comum é proteger a população com eficiência e eficácia, prevenção e respeito aos direitos assegurados a todos.
Fontes
- Metropolitan Police — governança da instituição
- Metropolitan Police — A New Met for London
- Metropolitan Police — balanço e plano de 2025
- Prefeitura de Belo Horizonte — dados de criminalidade de 2016–2017
- PMMG — PROERD
- PMMG — modalidades de policiamento
- Agência Minas Gerais — balanço de segurança do Carnaval de 2025
- Planalto — Lei nº 14.751/2023


